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Quanto tempo dura um implante dentário: vida útil real do pino, da coroa e o que faz a diferença

Quanto tempo dura implante dentário? O pino de titânio dura 20+ anos (96,4% em 10 anos). Veja o que influencia a longevidade e como cuidar bem.

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Dr. Felipe Crespilho

CRO-SP 130734 · Sobre a equipe

Paciente brasileiro sorrindo após procedimento de implante dentário em consultório odontológico iluminado
Implantes bem cuidados acompanham o paciente por décadas

Um paciente coloca um implante dentário aos 45 anos. Aos 65, o pino de titânio continua firme no osso. A coroa de porcelana, trocada uma vez aos 57, funciona sem problema. Aos 80, o implante ainda está lá. Esse cenário não é ficção — é o que os dados mostram pra maioria dos casos.

A resposta curta: o pino de titânio do implante dentário pode durar a vida toda. A taxa de sobrevivência é de 96,4% em 10 anos e de 88% a 92% em 20 anos, segundo meta-análise publicada no Clinical Oral Investigations em 2024. A coroa sobre o implante dura menos — entre 10 e 15 anos em média, precisando de troca eventual.

Mas esses números dependem de você.

Pino vs coroa: duas peças, duas durabilidades

O implante dentário tem duas partes com vida útil bem diferente. Confundir as duas é o erro mais comum de quem pesquisa sobre durabilidade.

O pino de titânio é a parte que fica dentro do osso. Após a osseointegração — a fusão do titânio com o osso, que leva de 3 a 6 meses — ele se torna parte da sua estrutura óssea. O titânio é biocompatível e resistente à corrosão. Não desgasta, não quebra e não “vence”. Se a saúde periodontal estiver em dia, o pino dura décadas.

A coroa é a parte visível, a que imita o dente. Pode ser de porcelana, coroa de zircônia ou resina. Sofre desgaste com a mastigação, pode trincar com impacto e escurece com o tempo (no caso da resina). Uma coroa de porcelana dura em média 10 a 15 anos. Zircônia pode ultrapassar 15 anos. Resina, de 5 a 8 anos.

Pra você ter uma ideia: o estudo mais longo já feito sobre implantes unitários acompanhou pacientes por 38 a 40 anos na Universidade de Gotemburgo, Suécia. A taxa de sobrevivência dos pinos foi de 95,6%. Já as coroas originais? Só 60,9% permaneceram. A maioria foi trocada por questões estéticas ao longo dos anos — não porque o implante falhou.

A conclusão prática: o implante em si é duradouro. A coroa você vai trocar pelo menos uma vez ao longo da vida.

O que os estudos dizem sobre 10, 20 e 40 anos

Não faltam dados sobre a longevidade do implante dentário. A ciência acompanha pacientes com implantes desde a década de 1980, e os resultados são consistentes.

Em 10 anos, a taxa de sobrevivência no nível do implante é de 96,4% (IC 95%: 95,2%-97,5%), segundo meta-análise de Wenn et al. publicada no Journal of Dentistry. De cada 100 implantes colocados, entre 96 e 97 ainda estão funcionando após uma década.

Em 20 anos, a taxa cai para algo entre 88% e 92%, dependendo do tipo de estudo. A meta-análise de Kupka et al. (2024) analisou 8 estudos com mais de 1.600 implantes e concluiu que aproximadamente 4 em cada 5 implantes sobrevivem 20 anos ou mais.

Em 40 anos, o acompanhamento mais longo da história — conduzido na Universidade de Gotemburgo — mostrou que todos os 18 implantes examinados estavam no lugar e funcionais. A perda óssea média ao redor dos implantes foi de apenas 0,9 mm em quatro décadas. Quase nula.

Esses números colocam o implante dentário como o tratamento de reposição dental com maior durabilidade comprovada. Nenhuma prótese removível, ponte fixa ou dentadura tem esse histórico. O mesmo vale pra reabilitações com prótese protocolo e prótese sobre implante — a longevidade do pino é a mesma, e o que varia é a parte protética.

Taxa de Sobrevivência do Implante Dentário Dados de meta-análises e estudos longitudinais 10 anos 96,4% Wenn et al., Journal of Dentistry (2019) 20 anos ~90% Kupka et al., Clinical Oral Investigations (2024) 40 anos 95,6% Barkarmo & Kowar, Univ. Gotemburgo (2025) — 18 implantes * O estudo de 40 anos tem amostra pequena (18 implantes), mas é o acompanhamento mais longo já publicado. * Taxas referem-se ao pino de titânio, não à coroa protética.

5 fatores que encurtam a vida do implante

O implante dentário não falha sozinho. Quase sempre existe um fator externo que compromete a osseointegração ou a saúde ao redor do pino. Os cinco mais documentados na literatura são estes.

1. Tabagismo

Fumantes têm o dobro do risco de perder um implante em comparação com não fumantes. Uma meta-análise publicada na revista Medicina encontrou odds ratio de 2,40 — ou seja, o risco de falha mais que dobra. A nicotina reduz o fluxo sanguíneo no osso e na gengiva, prejudicando a cicatrização e a osseointegração. Em números absolutos: a taxa de falha em fumantes chega a 11,28%, contra 4,76% em não fumantes.

O cigarro não é contraindicação absoluta. Mas o cirurgião-dentista precisa saber que você fuma pra ajustar o planejamento — inclusive decidir se precisa de enxerto ósseo ou anestesia local diferenciada.

2. Peri-implantite

A peri-implantite é uma inflamação ao redor do implante que destrói o osso de suporte — o equivalente da periodontite pra dentes naturais. Estudos publicados no SciELO estimam que a prevalência varia de 12,8% a 20% dos implantes em função há mais de 8 anos.

Quem tem histórico de periodontite corre risco maior. Higiene deficiente e falta de acompanhamento profissional são os gatilhos principais. A peri-implantite é silenciosa no começo — quando o paciente percebe, já houve perda óssea.

3. Bruxismo sem controle

O implante dentário não tem ligamento periodontal. Dentes naturais têm uma espécie de “amortecedor” entre a raiz e o osso. O implante, não. A força da mastigação vai direto pro osso. Em quem range ou aperta os dentes durante o sono, essa sobrecarga pode afrouxar componentes, fraturar a coroa ou até comprometer a interface osso-implante.

A solução é simples: placa miorrelaxante. Feita sob medida, ela distribui as forças e protege tanto os dentes naturais quanto os implantes durante o sono. Se você range os dentes, vale ler sobre bruxismo e tratamento antes de fazer implante.

4. Diabetes descompensada

Pacientes com diabetes controlada (hemoglobina glicada abaixo de 7%) têm taxas de sucesso comparáveis às de não diabéticos. Mas quando a HbA1c passa de 8%, o risco de falha sobe 77,7%, segundo revisão publicada na Revista do CROMG. A hiperglicemia prejudica a microcirculação e a resposta imune — dois pilares da osseointegração.

Se você tem diabetes e quer fazer implante, o controle glicêmico entra no planejamento cirúrgico. Simples assim.

5. Higiene bucal deficiente

Parece óbvio, mas precisa ser dito. O implante dentário não pega cárie. Mas a gengiva ao redor dele inflama com placa bacteriana, exatamente como acontece com dentes naturais. Sem escovação adequada e fio dental, o acúmulo de tártaro leva primeiro à mucosite peri-implantar (inflamação superficial) e, se não tratada, progride pra peri-implantite.

Implante exige a mesma disciplina de higiene que um dente natural. Sem atalho.

Fatores de Risco Para a Durabilidade do Implante Impacto relativo na taxa de falha, com base em estudos clínicos Tabagismo 2x mais falhas Peri-implantite 12-20% dos implantes Bruxismo risco mecânico alto Diabetes (HbA1c >8%) +77,7% risco Higiene deficiente acúmulo progressivo Risco alto — dados consolidados em meta-análises Risco moderado — evidência clínica consistente, mas com variáveis individuais

Como aumentar a vida útil do seu implante

A boa notícia: os fatores que encurtam a vida do implante são, em grande parte, controláveis. O protocolo de manutenção não exige nada extraordinário.

Profilaxia profissional a cada 6 meses. No primeiro ano após a cirurgia, as visitas acompanham a osseointegração. Do segundo ano em diante, a profilaxia semestral limpa o tártaro que se acumula ao redor do pilar e da gengiva. Quem tem histórico de periodontite precisa de consultas a cada 4 meses.

Escovação e fio dental — sem negociação. Escova de cerdas macias, creme dental com flúor, fio dental ou escova interdental ao redor do implante. A região entre a gengiva e o pilar acumula placa bacteriana como qualquer dente natural.

Placa miorrelaxante se tiver bruxismo. Ranger ou apertar os dentes à noite sobrecarrega o implante. A placa distribui as forças e protege a coroa.

Controle de doenças sistêmicas. Diabetes compensada, nada de fumar. O corpo precisa de boa circulação e resposta imune pra manter o osso saudável ao redor do pino.

Tomografia de controle periódica. O cirurgião-dentista pede tomografia odontológica ou radiografia panorâmica de tempos em tempos pra avaliar o nível ósseo ao redor do implante. Perda óssea precoce é detectável antes de virar problema. Quem fez cirurgia guiada já tem a tomografia inicial como referência — fica fácil comparar.

Quando a coroa precisa ser trocada

O pino de titânio fica a vida toda. A coroa, não necessariamente. E tudo bem. Trocar a coroa é um procedimento simples e rápido — não envolve nova cirurgia.

A coroa de porcelana dura em média 10 a 15 anos. Pode trincar por impacto, desgastar na oclusal ou perder selamento marginal. A de zircônia tem resistência mecânica maior e costuma ultrapassar 15 anos. A de resina dura menos — 5 a 8 anos — e escurece com café, vinho e corantes.

Sinais de que a coroa precisa de atenção: mobilidade ao mastigar, borda da gengiva escurecida ao redor, dor ao morder (raro, mas possível se o cimento falhou) ou fratura visível.

A troca da coroa não interfere no pino. O cirurgião-dentista remove a coroa antiga, faz nova moldagem (ou escaneamento digital) e instala uma nova peça. O implante continua intacto.

No estudo de 40 anos da Universidade de Gotemburgo, 39% das coroas originais foram trocadas — a maioria por motivos estéticos, não funcionais. As primeiras coroas eram de resina composta, material que evoluiu muito desde então.

O implante dentário vs outras opções de reposição

O implante dentário não é o único jeito de repor um dente perdido. Mas é o único que preserva o osso da região.

Quando um dente é extraído e a região fica sem estímulo, o osso começa a reabsorver. Próteses removíveis não impedem esse processo — pelo contrário, a pressão da dentadura sobre a gengiva acelera a perda óssea ao longo dos anos. Uma prótese fixa (ponte) apoia nos dentes vizinhos, que precisam ser desgastados.

O implante estimula o osso como uma raiz natural. A osseointegração mantém o volume ósseo estável por décadas. O dado do estudo de Gotemburgo confirma isso: perda óssea média de 0,9 mm em 40 anos.

Pra quem perdeu um dente e tem condição óssea adequada, o implante dentário é o tratamento com melhor relação entre durabilidade e preservação da saúde bucal. Não existe “prazo de validade” pro pino de titânio — existe cuidado contínuo.

Precisa de avaliação? Vamos conversar

Cada caso tem suas particularidades. Volume ósseo, saúde geral, hábitos e expectativas variam de pessoa pra pessoa. O primeiro passo é uma avaliação clínica com tomografia pra entender o que o seu caso exige.

Dr. Felipe Crespilho (CRO-SP 130734), cirurgião-dentista com atuação em implantodontia, atende em Araraquara na Rua Itália, 1294. Agende uma avaliação pelo WhatsApp e tire suas dúvidas antes de decidir.

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