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Prótese sobre implante: tipos, materiais, parafusada ou cimentada — e como escolher a certa pro seu caso

Prótese sobre implante tem taxa de sobrevivência acima de 94% em 13 anos. Veja os 4 tipos, materiais (zircônia, porcelana) e parafusada vs cimentada.

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Dr. Felipe Crespilho

CRO-SP 130734 · Sobre a equipe

Modelo de prótese sobre implante em consultório odontológico brasileiro com instrumentos e tomografia ao fundo
A prótese sobre implante combina a raiz artificial de titânio com uma coroa que funciona como dente natural

Implante + prótese = dente fixo. Essa é a equação. O implante dentário é o pino de titânio que o cirurgião-dentista fixa no osso. A prótese sobre implante é a parte visível — a coroa, a ponte ou a arcada inteira que vai parafusada ou cimentada sobre esse pino. Uma não funciona sem a outra. E a escolha do tipo de prótese sobre implante muda o resultado em termos de estética, durabilidade e manutenção. Revisão sistemática com meta-análise publicada no Journal of Prosthetic Dentistry (2023) mostra que a taxa de sobrevivência de próteses implantossuportadas é consistente tanto a curto quanto a longo prazo, sem diferença significativa entre unitárias e múltiplas.

Se você já tem implante ou está planejando fazer, entender as configurações de prótese sobre implante evita surpresas no consultório.

O que é prótese sobre implante, afinal

Prótese sobre implante é qualquer peça protética que se apoia diretamente num implante de titânio osseointegrado. Ao contrário da ponte fixa convencional — que desgasta os dentes vizinhos pra servir de apoio —, a prótese sobre implante usa uma raiz artificial própria. Nenhum dente saudável precisa ser mexido.

O implante funciona como raiz. A prótese funciona como dente. Entre os dois, existe um componente intermediário chamado pilar (ou abutment), que conecta o pino de titânio à coroa visível. O formato, o material e o tipo de fixação desse conjunto definem as características da reabilitação.

Existem quatro configurações principais de prótese sobre implante no mercado brasileiro. Cada uma resolve um problema diferente.

Quatro configurações: de um dente à arcada inteira

Coroa unitária sobre implante

Um implante, uma coroa. Substitui um único dente perdido. É a configuração mais comum em implantodontia. O pino de titânio entra no osso, passa por 3 a 6 meses de osseointegração, e recebe uma coroa em porcelana, zircônia ou metalocerâmica.

Pra quem perdeu um molar inferior e tem os dentes vizinhos intactos, a coroa sobre implante é mais conservadora que a ponte fixa. A ponte exige desgaste dos dentes ao lado. O implante, não. Segundo a Universidade Federal de Alagoas (UFAL), a prótese unitária implantossuportada preserva a estrutura dos dentes adjacentes e mantém o estímulo ósseo na região — duas vantagens que a ponte não oferece.

Ponte sobre implantes

Dois ou três implantes sustentam uma ponte fixa que repõe vários dentes consecutivos. Funciona como a ponte convencional, mas sem desgastar os dentes naturais vizinhos. Se faltam 3 dentes seguidos, por exemplo, 2 implantes nas extremidades sustentam a ponte com 3 coroas.

Essa configuração reduz o número total de implantes necessários. Em vez de um implante por dente perdido, a ponte distribui a carga entre os pinos existentes. É uma solução frequente pra quem perdeu molares de um lado da boca.

Overdenture (prótese removível sobre implante)

A overdenture é uma dentadura que encaixa sobre 2 a 4 implantes por meio de conexões tipo botão (O-ring) ou barra com clipe. O paciente coloca e retira pra higienizar, mas com estabilidade muito superior à dentadura convencional.

Pra quem perdeu todos os dentes, tem reabsorção óssea moderada e não quer investir num protocolo fixo, a overdenture é um meio-termo. Estudo publicado na revista Archives of Health Investigation destaca que o sistema barra-clipe apresenta retenção superior ao O-ring e menor frequência de manutenção a longo prazo.

Prótese protocolo (arcada fixa sobre implantes)

A configuração mais completa. De 4 a 6 implantes sustentam uma arcada inteira fixa, parafusada. Não é dentadura. Não solta. A técnica All-on-4, com mais de 25 anos de evidência clínica, tem taxa de sobrevida dos implantes acima de 98% em acompanhamento de 10 a 18 anos, conforme revisão publicada no PubMed. Se você quer saber mais sobre essa opção, o guia sobre prótese protocolo detalha etapas e materiais.

Configuracoes de protese sobre implante Configuracao Implantes Indicacao Fixacao Durabilidade Preserva osso? Coroa unitaria sobre implante 1 1 dente ausente vizinhos intactos Parafusada ou cimentada 15-25 anos Sim Ponte sobre implantes 2-3 2 a 4 dentes consecutivos Parafusada ou cimentada 15-25 anos Sim Overdenture removivel s/ implante 2-4 Arcada completa edentulo total Encaixe (O-ring ou barra-clipe) 10-15 anos Parcialmente (implante preserva) Protocolo All-on-4 / All-on-6 4-6 Arcada completa edentulo total Parafusada 15-25 anos Sim Fonte: literatura clinica (PubMed, UFAL, Archives of Health Investigation)

Parafusada ou cimentada: a decisão que muda a manutenção

Toda prótese sobre implante precisa ser fixada ao pilar. Dois métodos dominam: parafuso ou cimento. E a escolha entre eles afeta a manutenção a longo prazo.

Prótese parafusada. Um parafuso atravessa a coroa e se fixa no pilar do implante. A vantagem principal é a reversibilidade. Se o dentista precisa acessar o implante pra limpeza, ajuste ou reparo, basta soltar o parafuso. A prótese sai inteira e volta sem dano. Segundo a Revista ImplantNews, a maioria dos implantodontistas prefere a parafusada justamente por essa facilidade de manutenção. O ponto fraco: o orifício do parafuso fica visível na face oclusal (de mastigação) da coroa. Em dentes posteriores, isso não importa. Em dentes anteriores, pode incomodar quem prioriza estética.

Prótese cimentada. Funciona como uma coroa convencional. O pilar recebe a prótese com cimento odontológico. A superfície fica lisa, sem orifício, com estética superior em dentes anteriores. Porém, se o dentista precisar remover a prótese depois, a retirada é mais trabalhosa. E o risco principal: cimento residual. Excesso de cimento que escapa pra dentro da gengiva pode causar inflamação peri-implantar — uma das complicações mais comuns em próteses cimentadas, segundo artigo publicado no Journal of Multidisciplinary Dentistry.

Na prática, a tendência atual é usar parafusada na maioria dos casos e cimentada em situações onde a estética do dente anterior exige superfície perfeita. O seu cirurgião-dentista avalia a posição do implante, a angulação do pilar e a exigência estética pra indicar a opção mais adequada pro caso.

Materiais da prótese: o que muda entre zircônia, porcelana e metalocerâmica

O material da prótese sobre implante influencia três coisas: quanto tempo dura, como fica esteticamente e quanto custa.

Zircônia. Resistência mecânica superior a qualquer outro material protético. Suporta cargas de até 950 N sem fraturar. A zircônia multilayer, usinada por CAD/CAM, simula gradientes de cor do dente natural e mantém 99% de integridade após 5 anos, segundo a revisão do Nucleo do Conhecimento. Não provoca manchas escuras na gengiva como a metalocerâmica. Custo mais alto, mas durabilidade proporcional.

Porcelana (dissilicato de lítio / e.max). Translucidez que imita o esmalte natural. Excelente pra dentes anteriores onde a estética é prioridade. Resistência boa, mas menor que a zircônia sob cargas de mastigação pesada. Durabilidade média de 10 a 20 anos em próteses fixas.

Metalocerâmica. Estrutura de metal coberta por porcelana. Foi o padrão por décadas. Funciona bem, mas tem um problema estético: com o tempo, uma linha escura pode aparecer na margem gengival, especialmente se a gengiva retrai. Quem tem gengiva fina deve considerar zircônia ou porcelana pura.

Pra molares (que recebem carga pesada de mastigação), zircônia é a escolha mais segura. Pra dentes anteriores (onde a estética pesa mais), dissilicato de lítio ou zircônia translúcida funcionam bem. A metalocerâmica ainda tem seu lugar em orçamentos mais restritos, mas está perdendo espaço pra zircônia ano a ano.

Materiais para protese sobre implante Avaliacao comparativa em 3 criterios (escala 1-10) Resistencia Estetica Durabilidade Custo-beneficio Zirconia (CAD/CAM) Porcelana (e.max) Metaloceramica 10 8.5 10 6 7 10 8 7 8 5.5 7 Fonte: revisoes clinicas (Nucleo do Conhecimento, PubMed). Escala relativa entre materiais.

Preservação óssea: por que a prótese sobre implante protege o que a ponte não protege

Quando um dente é perdido, o osso que sustentava a raiz começa a ser reabsorvido pelo corpo. Sem estímulo mecânico, o organismo “recicla” o tecido ósseo que não está em uso. A Pesquisa Nacional de Saúde Bucal (SB Brasil 2023) documentou que 36% dos idosos brasileiros não têm nenhum dente — e a maioria enfrenta reabsorção óssea significativa por anos sem reposição.

A prótese sobre implante interrompe esse ciclo. O pino de titânio transmite a força da mastigação diretamente pro osso, simulando a raiz natural. Esse estímulo mantém o volume e a densidade óssea na região. Ja a ponte fixa convencional apoia-se nos dentes vizinhos. O osso na área do dente ausente segue sendo reabsorvido, ano após ano.

Pra quem perdeu dentes há pouco tempo, isso pode parecer abstrato. Mas pra quem usa dentadura há 15 anos e sente a prótese cada vez mais frouxa, a reabsorção é muito concreta. Quanto mais tempo sem raiz (natural ou artificial), menos osso sobra. E menos osso significa implante mais complexo — às vezes exigindo enxerto ósseo antes da instalação.

Cenário real: como a escolha funciona no consultório

Um paciente de 48 anos perdeu o primeiro molar inferior esquerdo há 2 anos. Os dentes vizinhos estão íntegros. A tomografia odontológica mostra osso com espessura e altura adequadas. O cirurgião-dentista indica um implante unitário com coroa de zircônia parafusada. Em 4 meses (3 de osseointegração + 1 de moldagem e fabricação da coroa), o paciente tem um dente fixo que funciona como natural. Sem desgaste dos vizinhos. Sem grampo. Sem dentadura.

Outro cenário: paciente de 62 anos perdeu os 3 últimos molares superiores do lado direito. Usa PPR há 5 anos e reclama de instabilidade na mastigação. A tomografia mostra osso moderado na região — suficiente pra 2 implantes com cirurgia guiada. O planejamento digital posiciona os 2 pinos nas melhores posições, e uma ponte sobre implantes com 3 coroas em zircônia resolve os 3 dentes ausentes.

Nos dois casos, o exame de imagem definiu o tratamento. Sem tomografia odontológica, qualquer indicação é suposição.

Quanto tempo dura uma prótese sobre implante

Duas partes com durabilidades diferentes. O implante de titânio, se bem osseointegrado e mantido, pode durar décadas — muitos estudos acompanham implantes por 20 a 30 anos sem falha. A prótese (a coroa ou a ponte) tem vida útil que depende do material e do cuidado.

Estimativas baseadas em literatura clínica:

  • Zircônia CAD/CAM: 15 a 25 anos. Revisão do Nucleo do Conhecimento aponta 99% de integridade em 5 anos.
  • Porcelana (e.max): 10 a 20 anos, com excelente estética.
  • Metalocerâmica: 7 a 15 anos. Funcional, mas a estética pode decair com retração gengival.
  • Resina acrílica (protocolo provisório): 5 a 7 anos. Adequada como provisório, não como definitiva.

Meta-análise de Morachini et al. encontrou taxa média de sobrevivência de 94,6% em próteses implantossuportadas com acompanhamento médio de 13,4 anos. Revisão de Pjetursson et al. publicada no PubMed reporta 95,6% de sobrevida em 5 anos e 93,1% em 10 anos pra próteses fixas sobre implantes.

Esses números só fazem sentido com manutenção. Sem acompanhamento, a taxa cai.

Manutenção: o que mantém a prótese sobre implante funcionando

Prótese sobre implante não é “coloque e esqueça”. A manutenção muda conforme o tipo.

Coroa ou ponte sobre implante. Escovação normal, fio dental ao redor do implante (ou escova interdental se o espaço for apertado), irrigador oral como complemento. Visita ao consultório a cada 6 meses pra profilaxia e checagem de parafusos.

Overdenture. Retirar após as refeições, escovar a prótese e os pilares. Limpar as conexões (O-ring ou barra) com escova macia. As borrachas do O-ring desgastam com o tempo e precisam de troca — geralmente a cada 6 a 12 meses. Consulta semestral.

Protocolo fixo. O paciente não tira. Mas a cada 6 a 12 meses, o dentista desparafusa a prótese pra limpeza profissional embaixo da estrutura. Essa manutenção preventiva evita acúmulo de placa bacteriana e periodontite peri-implantar.

Um dado direto: quem segue o calendário de manutenção tem o implante durando duas, três vezes mais do que quem desaparece do consultório. A osseointegração é robusta. O que falha, na maioria dos casos, é a ausência de acompanhamento.

Quando a prótese sobre implante não é indicada

Nem todo mundo é candidato imediato. Algumas situações exigem tratamento prévio.

Periodontite ativa. Se a gengiva está inflamada e há perda óssea por doença periodontal, o tratamento periodontal vem antes. Colocar implante em osso comprometido é risco de falha. Dados do CFO mostram que quase 80% dos idosos brasileiros têm menos de 20 dentes — e muitos deles chegam ao implantodontista com periodontite não tratada.

Diabetes descompensada. A cicatrização fica prejudicada. Hemoglobina glicada acima de 8% aumenta o risco de falha na osseointegração. Controlou a glicemia? Pode planejar o implante.

Tabagismo pesado. Fumar reduz fluxo sanguíneo no osso e na gengiva. Não é proibição absoluta, mas reduz a taxa de sucesso. Pacientes que param de fumar 2 semanas antes e 8 semanas depois da cirurgia têm resultados melhores.

Osso insuficiente. Se falta volume ósseo pra instalar o implante, enxerto ósseo resolve. O tempo de tratamento aumenta (mais 4 a 6 meses de cicatrização do enxerto), mas a viabilidade está aí. A cirurgia guiada com planejamento digital ajuda a encontrar as melhores posições dentro do osso disponível.

Nenhuma dessas situações é definitiva. São condições que mudam o planejamento, não que eliminam a possibilidade.

Próximo passo

Se você perdeu um ou mais dentes e quer saber qual configuração de prótese sobre implante faz sentido pro seu caso, o caminho é uma avaliação com tomografia. A posição do implante, o volume ósseo, a quantidade de dentes ausentes e a sua expectativa definem qual configuração faz sentido.

O Dr. Felipe Crespilho (CRO-SP 130734), cirurgião-dentista com atuação em implantodontia, atende na Rua Italia, 1294, em Araraquara. Agende uma avaliacao pelo WhatsApp e traga seus exames, se ja tiver.

Veja tambem o guia completo sobre tipos de protese dentaria e a pagina sobre implante dentario em Araraquara pra ter o panorama completo antes da consulta.

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