Tipos de prótese dentária: fixa, removível, sobre implante e protocolo — qual faz sentido pra você
Conheça os 6 tipos de prótese dentária, indicações e limitações de cada um. Guia com dados do IBGE para escolher entre fixa, removível e protocolo.
Dr. Felipe Crespilho
CRO-SP 130734 · Sobre a equipe
Prótese dentária é qualquer dispositivo que substitui dentes perdidos. Existem 6 tipos principais no mercado brasileiro: coroa unitária, ponte fixa, prótese parcial removível (PPR), prótese total (dentadura), prótese sobre implante e prótese protocolo. A escolha entre eles depende de quantos dentes faltam, do estado do osso, da saúde dos dentes vizinhos e do orçamento disponível. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS/IBGE) de 2019, 34 milhões de brasileiros adultos já perderam 13 dentes ou mais ao longo da vida. Se você faz parte desse grupo, este guia sobre os tipos de prótese dentária mostra o que cada opção resolve de verdade.
Prótese fixa: coroa unitária e ponte
Prótese fixa é toda prótese que fica cimentada ou parafusada na boca. Você não tira pra limpar. Existem duas variantes principais.
Coroa unitária. Cobre um dente muito destruído ou restaura a parte visível de um implante dentário. Pode ser feita em porcelana, zircônia ou metalocerâmica. A coroa em zircônia, por exemplo, tem taxa de sobrevivência de 99% após 5 anos, segundo revisão publicada no Núcleo do Conhecimento. Na prática: é o “capuz” que cobre o dente ou o implante e devolve forma, cor e função mastigatória.
Ponte fixa. Repõe um ou mais dentes ausentes apoiando-se nos dentes vizinhos (os pilares). O dentista desgasta os dentes de cada lado do espaço, e o laboratório fabrica uma peça única que preenche a falha. A vantagem é que não precisa de cirurgia. A desvantagem é o desgaste dos dentes pilares — dentes saudáveis que precisam ser reduzidos pra receber a ponte. Se um dos pilares tiver problema depois, toda a peça precisa ser refeita.
Pra quem perdeu um único dente e tem os vizinhos intactos, vale pesar: a ponte preserva zero estrutura dos dentes pilares. Já o implante dentário substitui a raiz sem mexer nos dentes ao lado.
Quando a prótese fixa faz sentido
A coroa unitária é indicada quando o dente ainda tem raiz viável ou quando há um implante instalado. A ponte fixa entra quando faltam 1 a 3 dentes consecutivos e os pilares têm boa estrutura. Se os dentes vizinhos já têm restaurações grandes, o desgaste extra muda pouco. Se estão íntegros, o implante tende a ser mais conservador.
Prótese removível: PPR e dentadura
Prótese removível é aquela que o paciente coloca e retira todo dia. Duas categorias: a parcial (PPR) e a total (dentadura).
Prótese parcial removível (PPR). Substitui alguns dentes e se encaixa nos remanescentes por grampos metálicos ou encaixes. É a opção mais acessível do mercado. Funciona bem como solução temporária ou quando o paciente não pode (ou não quer) passar por cirurgia. O ponto fraco é estético — os grampos aparecem — e funcional: a PPR se move durante a mastigação, o que incomoda muita gente no começo.
Prótese total removível (dentadura). Indicada quando todos os dentes de uma arcada estão ausentes. Apoia-se diretamente na gengiva e no rebordo ósseo. É o tratamento mais tradicional do Brasil — e também o que gera mais insatisfação a longo prazo. Sem raízes artificiais pra estimular o osso, a reabsorção óssea acontece progressivamente. Em 10 a 15 anos, a dentadura que ficava firme começa a balançar.
Um dado que poucos pacientes sabem: a PNS do IBGE de 2019 mostrou que 14 milhões de brasileiros vivem sem nenhum dente. A maioria usa dentadura — e uma parcela relevante nem isso.
O problema da reabsorção óssea
Quando falta a raiz do dente (natural ou artificial), o osso da mandíbula e da maxila perde volume progressivamente. É o corpo “reciclando” o que não está em uso. A dentadura acelera esse processo porque pressiona a gengiva diretamente. A cada ano, o encaixe piora. É por isso que muitos pacientes que usaram dentadura por décadas precisam de enxerto ósseo antes de receber implantes.
Prótese sobre implante: a opção que mais se aproxima do dente natural
Prótese sobre implante é qualquer peça protética fixada diretamente num implante de titânio que está dentro do osso. Pode ser uma coroa unitária, uma ponte ou uma arcada inteira.
A grande vantagem: o implante funciona como raiz artificial. Estimula o osso, previne reabsorção e distribui a carga da mastigação como um dente natural. A taxa de sobrevivência dos implantes supera 95% em acompanhamento de 10 anos, segundo revisão publicada na base LILACS.
Mas prótese sobre implante exige cirurgia. Exige osso suficiente (ou enxerto ósseo prévio). Exige tomografia odontológica pra planejamento. E exige tempo: entre a cirurgia e a prótese definitiva, passam de 3 a 6 meses de osseointegração.
Pra quem perdeu poucos dentes, a coroa sobre implante substitui cada um individualmente. Pra quem perdeu vários numa sequência, uma ponte sobre 2 ou 3 implantes resolve sem precisar de um pino por dente.
Overdenture: a removível com implantes
Existe um meio-termo entre a dentadura e o protocolo fixo. A overdenture é uma prótese total removível que se encaixa sobre 2 a 4 implantes por meio de conexões tipo botão (O-ring ou barra). O paciente coloca e retira pra higienizar, mas com estabilidade muito superior à dentadura convencional.
É indicada pra quem perdeu todos os dentes, tem pouco osso e quer algo mais estável que a dentadura sem o investimento do protocolo fixo. Custo de mercado: inferior ao do protocolo, porque usa menos implantes e a prótese é mais simples.
Prótese protocolo: arcada completa sobre implantes
A prótese protocolo é a solução fixa pra quem perdeu todos os dentes de uma arcada. São 4 a 6 implantes de titânio sustentando uma prótese aparafusada que não sai no dia a dia.
A técnica All-on-4, desenvolvida pelo Dr. Paulo Maló em Portugal, usa 4 implantes posicionados em ângulos calculados pra aproveitar o osso disponível. Em muitos casos, dispensa enxerto ósseo mesmo em pacientes com reabsorção avançada. Uma revisão narrativa publicada na Revista FT analisou estudos com mais de 4.800 implantes: a taxa de sobrevivência ficou entre 94% e 99%, com acompanhamento de até 18 anos.
Na prática, o paciente sai da cirurgia com uma prótese provisória fixa no mesmo dia (carga imediata). Em 3 a 6 meses, quando a osseointegração está completa, a prótese definitiva substitui a provisória. Materiais da definitiva: resina sobre barra metálica (mais acessível) ou zircônia (mais resistente e estética).
O protocolo transforma a rotina de quem usava dentadura. Mastigar carne, morder maçã, falar sem medo da prótese soltar. Quem usa dentadura há anos e está cansado do desconforto sabe exatamente do que estou falando.
Materiais: porcelana, zircônia ou resina
O material da prótese influencia durabilidade, estética e custo. Três opções dominam o mercado.
Porcelana (cerâmica feldspática ou dissilicato de lítio). Reproduz a translucidez natural do esmalte. Excelente estética. Durabilidade média de 10 a 15 anos em próteses fixas, segundo estudo da USP. Ponto fraco: menor resistência a impactos. Funciona bem pra dentes anteriores, onde a estética importa mais que a carga mastigatória.
Zircônia. Resistência mecânica superior. Suporta bem a carga dos molares. Próteses sobre zircônia usinadas em CAD/CAM mantêm 99% de integridade após 5 anos. A estética melhorou muito nos últimos anos com a zircônia multilayer, que simula gradientes de cor do dente natural. Custo mais alto que porcelana convencional.
Resina acrílica. Material da maioria das dentaduras e das próteses protocolo provisórias. Mais acessível, mais leve, mas se desgasta com o tempo. Troca recomendada a cada 5 a 7 anos. Mancha mais fácil com café e cigarro.
Cenário concreto: como a escolha funciona na vida real
Uma paciente de 55 anos perdeu 3 dentes na região dos molares inferiores há 4 anos. Usa PPR com grampos desde então, mas reclama de desconforto na mastigação. A tomografia mostra osso suficiente na região. O cirurgião-dentista indica 2 implantes com uma ponte fixa de 3 elementos em zircônia. Em 5 meses (contando osseointegração), ela troca a PPR pela ponte fixa. Resultado: mastigação firme, sem grampo visível, osso preservado.
Outro caso: paciente de 68 anos, edêntulo na arcada superior, usa dentadura há 20 anos. O osso maxilar está com reabsorção moderada. Duas opções: overdenture sobre 4 implantes ou prótese protocolo. O paciente prefere não tirar a prótese pra limpar. Opta pelo protocolo All-on-4 com cirurgia guiada. A prótese provisória sai no mesmo dia. Em 6 meses, recebe a definitiva em zircônia.
Cada caso tem uma resposta diferente. O exame clínico e a tomografia são o que separa o “achismo” do planejamento real.
Como cuidar da prótese (fixa ou removível)
O tipo de cuidado muda conforme a prótese.
Prótese fixa e sobre implante. Escove normalmente, como dentes naturais. Fio dental passa por baixo da ponte ou ao redor do implante. Irrigador oral (jato de água) ajuda na limpeza de áreas de difícil acesso. Consulta de manutenção a cada 6 meses.
PPR e dentadura. Retire depois de cada refeição e escove com escova específica (cerdas mais macias, sem pasta abrasiva). Deixe de molho em solução de limpeza protética à noite. Não durma com a prótese na boca — a gengiva precisa descansar. E nunca ajuste em casa. Se está apertando ou folgando, volte ao consultório.
Prótese protocolo. O paciente não remove. Mas a cada 6 a 12 meses, o dentista desparafusa a prótese pra limpeza profissional embaixo da estrutura. Essa manutenção preventiva evita acúmulo de placa bacteriana e problemas na gengiva ao redor dos implantes.
O que perguntar ao dentista antes de decidir
Você não precisa entender de prótese pra fazer boas perguntas. Três que fazem diferença:
1. Qual tipo de prótese é indicado pro meu caso — e por quê? O cirurgião-dentista precisa justificar com base em exame clínico e exames de imagem, não em preferência pessoal.
2. Qual o material da prótese e quanto tempo dura? Saber se é porcelana, zircônia ou resina muda a expectativa de durabilidade e o custo.
3. O que acontece se eu não tratar agora? Dente perdido causa migração dos vizinhos, perda óssea e mudança na mordida. Quanto mais tempo sem repor, mais complexo (e caro) fica o tratamento.
Uma avaliação presencial com radiografia panorâmica ou tomografia odontológica é o mínimo pra definir qual prótese faz sentido. Sem isso, qualquer indicação é chute.
Próximo passo
Se você perdeu um ou mais dentes e quer saber qual tipo de prótese dentária é indicado pro seu caso, o caminho é uma avaliação clínica com exames de imagem. O Dr. Felipe Crespilho (CRO-SP 130734), cirurgião-dentista com atuação em implantodontia, atende na Rua Itália, 1294, em Araraquara.
Agende uma avaliação pelo WhatsApp e traga seus exames, se já tiver. Assim a conversa começa pelo seu caso, não por suposições.
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