Lente de contato dental dura quantos anos: durabilidade por material, o que encurta a vida útil e quando trocar
Lente de contato dental dura quantos anos? Em porcelana, 10 a 15 anos (sobrevivência 95,5% em 10 anos). Veja o que influencia e como preservar.
Dr. Felipe Crespilho
CRO-SP 130734 · Sobre a equipe
Taxa de sobrevivência de 95,5% em 10 anos. Esse é o número que uma revisão sistemática com 6.500 lentes de contato dental encontrou ao analisar 25 estudos clínicos publicados no Journal of Clinical Medicine. Na prática, uma lente de contato dental de porcelana dura entre 10 e 15 anos — e há registros de lentes funcionando bem por mais de 20 anos. A durabilidade depende do material, da cimentação, dos seus hábitos e do acompanhamento com o cirurgião-dentista.
Mas esse número não cai do céu. Existem fatores que esticam a vida útil da lente e fatores que encurtam. Bruxismo sem tratamento, por exemplo, é o vilão número um. Vamos aos dados.
O que os estudos mostram sobre durabilidade
A literatura científica mais robusta sobre o tema vem de revisões sistemáticas — estudos que compilam resultados de dezenas de pesquisas clínicas. Dois trabalhos recentes são referência:
A revisão de Alenezi et al. (2021) analisou 25 estudos, 1.646 pacientes e 6.500 laminados cerâmicos. A taxa de sobrevivência em 10 anos foi de 95,5%. Quando se isola apenas fratura como motivo de falha, sobe para 96,3%. Descolamento isolado: 99,2%.
Já a revisão de AlJazairy (2020), publicada no European Journal of Dentistry, analisou 30 estudos com 11.465 lentes em 2.473 pacientes. Os achados: taxas entre 85% e 96% em 10 anos, e 82,93% em 20 anos nos acompanhamentos mais longos.
O que isso significa na prática? A cada 100 lentes instaladas, entre 4 e 5 vão precisar de alguma intervenção nos primeiros 10 anos. A maioria por fratura ou descolamento — não por desgaste do material.
Porcelana vs resina: quanto dura cada material
Nem toda lente de contato dental é igual. O material faz diferença enorme na durabilidade.
Dissilicato de lítio (e.max) é o material mais usado em lentes hoje. Tem resistência mecânica alta e estética excelente. Estudos mostram taxa de sobrevivência de 96,8% em 10 anos. Não muda de cor, não perde brilho e resiste bem à mastigação normal.
Porcelana feldspática é o material clássico. Tem estética insuperável — a translucidez imita o dente natural com perfeição. Mas é mais frágil. A taxa de falha por fratura é maior que a do dissilicato. Funciona bem em pacientes com oclusão estável e sem hábitos parafuncionais.
Resina composta é outra categoria. Facetas de resina são mais acessíveis e feitas em sessão única, direto na boca. Mas duram entre 3 e 7 anos. Perdem brilho, mancham com café e vinho, e precisam de polimento periódico. Não são lentes de contato dental — são facetas diretas.
A diferença é grande. Pra quem quer durabilidade e pode investir, o dissilicato de lítio é a escolha mais segura. Porcelana feldspática ainda tem espaço em casos onde a estética é a prioridade máxima e a oclusão é favorável.
O que encurta a vida útil da lente
Nem sempre a lente falha por defeito do material. Na maioria das vezes, o problema é comportamental ou biológico.
Bruxismo sem tratamento é a principal causa de fratura precoce. Quem range ou aperta os dentes à noite exerce forças de até 500 N sobre a cerâmica — muito acima do que ela foi projetada para suportar. Sem placa miorrelaxante, a lente pode trincar em 2 a 3 anos. Com a placa, a proteção é quase total. Se você tem bruxismo, esse ponto é inegociável.
Má higiene bucal permite acúmulo de placa bacteriana na interface entre a lente e a gengiva. Isso causa gengivite, que evolui para periodontite. A inflamação crônica compromete o selamento marginal e pode levar ao descolamento. A lente em si não dá cárie — mas o dente por baixo dela, sim, se a higiene falhar.
Usar os dentes como ferramenta acelera fraturas. Abrir embalagens, cortar linha, roer gelo — tudo isso gera forças pontuais que a cerâmica não absorve bem. Diferente do esmalte natural, que tem certa flexibilidade, a cerâmica é rígida. Ela resiste à compressão, mas não a impactos localizados.
Alimentação ácida em excesso não ataca a cerâmica diretamente, mas deteriora o cimento que une a lente ao dente. Refrigerante, suco de limão puro e vinagre em grande quantidade degradam a interface adesiva ao longo dos anos.
Cimentação inadequada é um fator técnico. A adesão da lente ao esmalte é muito superior à adesão sobre dentina. Segundo os estudos, lentes cimentadas sobre esmalte têm taxa de sobrevivência de 99%, enquanto sobre dentina exposta cai para 91%. O planejamento do preparo influencia diretamente a longevidade.
O que faz a lente durar mais
Se os fatores acima encurtam a vida útil, existem hábitos que fazem o inverso.
Placa miorrelaxante para quem tem bruxismo. Não existe negociação aqui. Se você aperta ou range os dentes — mesmo sem perceber — a placa é obrigatória. O investimento é pequeno comparado ao custo de trocar lentes fraturadas. Na nossa avaliação, sempre investigamos sinais de bruxismo antes de indicar lente.
Escovação correta e uso de fio dental. Parece básico, mas a região entre a lente e a gengiva exige atenção especial. Escova de cerdas macias, fio dental passado suavemente e, se indicado pelo dentista, escova interdental. A profilaxia a cada 6 meses remove o tártaro que a escovação não alcança.
Visitas regulares ao cirurgião-dentista. A cada 6 meses, no mínimo. O profissional avalia a integridade das lentes, o estado da gengiva e a oclusão. Microtrincas invisíveis a olho nu podem ser detectadas com lupa ou fotografia de alta resolução antes de virar fratura.
Evitar alimentos muito duros com os dentes da frente. Torresmo, castanhas, gelo e pé de moleque não devem ser mordidos com os incisivos. Corte com os molares ou use as mãos. A cerâmica resiste bem à mastigação normal, mas não a impactos pontuais.
Quando é hora de trocar a lente
Não existe um prazo fixo para troca. A lente pode durar 15 anos em uma pessoa e 8 em outra. O que define é a condição clínica. Fique atento a estes sinais:
Fratura visível ou lascamento. Se parte da cerâmica quebrou, a troca é necessária. Fraturas pequenas às vezes podem ser polidas, mas fraturas maiores exigem lente nova.
Descolamento. Se a lente se soltar do dente — parcial ou completamente — o cimento falhou. Em alguns casos, dá para recimentar. Em outros, uma nova lente precisa ser confeccionada.
Escurecimento da borda. Uma linha escura entre a lente e a gengiva pode indicar infiltração. O cimento deteriorou e bactérias estão entrando. Precisa avaliação clínica urgente.
Retração gengival. Com o tempo, a gengiva pode retrair e expor a borda da lente, criando um degrau visível. Esteticamente ruim e biologicamente arriscado — acumula placa bacteriana.
Mudança na mordida. Se a oclusão mudou — por perda de dente, movimentação ou tratamento ortodôntico — as forças sobre as lentes mudam. Reavaliação necessária.
Pra você ter uma ideia: no estudo de Alenezi et al., a fratura foi responsável por 44,83% das falhas, seguida de descolamento. A maioria aconteceu nos primeiros anos, reforçando a importância do acompanhamento inicial.
Um caso que ilustra bem
Uma paciente de 35 anos procurou avaliação querendo trocar as 8 lentes superiores. Tinha colocado lentes de porcelana feldspática há 9 anos em outro consultório. O problema? Três lentes tinham microtrincas e uma já estava lascada. O motivo ficou claro no exame: bruxismo não diagnosticado na época da instalação. Ela nunca usou placa miorrelaxante.
Resultado: as 8 lentes foram substituídas por dissilicato de lítio. Agora ela usa placa miorrelaxante toda noite. O custo da troca foi quase o mesmo da primeira instalação — um gasto que poderia ter sido evitado com diagnóstico correto e uma placa de R$ 600 a R$ 1.200 no mercado.
A lição é simples: a lente é tão durável quanto o planejamento por trás dela.
Perguntas frequentes sobre durabilidade
Afinal, lente de contato dental dura quantos anos? Depende do material. Nenhum laminado cerâmico é eterno. A cerâmica de alta qualidade dura entre 10 e 15 anos em média, com registros de 20 anos ou mais. Mas precisa de acompanhamento.
Se eu tiver bruxismo, não posso usar lente? Pode, desde que o bruxismo esteja controlado. O uso de placa miorrelaxante é obrigatório. Sem ela, o risco de fratura aumenta muito. A avaliação clínica determina se o caso é viável.
A lente de resina dura quanto? Entre 3 e 7 anos. A resina composta mancha, perde brilho e precisa de manutenção frequente. É uma boa opção temporária ou para quem tem orçamento limitado, mas a porcelana compensa no longo prazo.
Posso fazer clareamento dental com lente de contato dental? O clareamento dental age no dente natural, não na cerâmica. Se você clarear os dentes depois de colocar a lente, a cor vai destoar. O ideal é clarear antes da instalação.
Lente de contato dental dá cárie? A lente em si não. Mas o dente por baixo dela pode desenvolver cárie se a higiene não for adequada. A escovação e o fio dental continuam sendo obrigatórios.
O que levar dessa leitura
Lente de contato dental é um dos tratamentos estéticos mais duráveis da odontologia. Os dados estão aí: 95,5% de sobrevivência em 10 anos com cerâmica de qualidade. Mas durabilidade não é só material — é planejamento, cimentação bem feita, diagnóstico de bruxismo e compromisso do paciente com a higiene.
Se você está pensando em colocar lentes ou precisa reavaliar as que já tem, o primeiro passo é uma avaliação clínica detalhada. Na página de lentes de contato dental você encontra mais informações sobre o procedimento, e pode agendar uma avaliação pelo WhatsApp ou formulário de contato.
Artigo revisado por Dr. Felipe Crespilho, cirurgião-dentista com atuação em reabilitação oral (CRO-SP 130734).
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