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Prótese protocolo sobre implante: o que é, como funciona, materiais e o que perguntar antes de fazer

Prótese protocolo (All-on-4 ou All-on-6) substitui a arcada completa com fixação sobre 4 a 6 implantes. Veja indicações, materiais e recuperação.

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Dr. Felipe Crespilho

CRO-SP 130734 · Sobre a equipe

Modelo de prótese protocolo sobre implantes em mesa de consultório odontológico em Araraquara
Quatro a seis implantes sustentam uma arcada inteira fixa — sem dentadura

A prótese protocolo é uma prótese fixa, parafusada sobre 4 a 6 implantes dentários, que substitui todos os dentes de uma arcada. Não é dentadura. Não solta, não precisa de adesivo e devolve até 80% da capacidade mastigatória de dentes naturais. A técnica existe desde os anos 1990 — o Dr. Paulo Maló publicou os primeiros estudos com o conceito All-on-4 em 1998 — e hoje tem mais de 25 anos de evidência clínica, com taxa de sobrevida das próteses de 98,8% em acompanhamento de 10 a 18 anos.

Se você perdeu todos os dentes de uma arcada ou está prestes a perder, a prótese protocolo é a reabilitação oral mais completa disponível. Mas exige planejamento, cirurgião-dentista com experiência na técnica e uma boa conversa sobre materiais e expectativas.

O que é prótese protocolo e como ela se diferencia

O nome “protocolo” vem de um padrão de tratamento desenvolvido pelo sueco Per-Ingvar Branemark — o mesmo pesquisador que descobriu a osseointegração nos anos 1960. O protocolo original usava um pino de titânio como raiz artificial para sustentar uma prótese fixa em pacientes que tinham perdido todos os dentes. O termo pegou e virou sinônimo de prótese sobre implante fixa de arcada completa.

Na prática, funciona assim: o cirurgião-dentista instala entre 4 e 6 pinos de titânio no osso da mandíbula ou da maxila. Sobre esses pinos, parafusa uma prótese dentária com 10 a 14 dentes e uma base que imita a gengiva. O resultado é uma arcada inteira fixa — sem palato coberto (na prótese superior), sem a insegurança de uma prótese removível.

Dois nomes que você vai ouvir bastante: All-on-4 e All-on-6. O All-on-4 usa 4 implantes — os dois posteriores inclinados em 30 a 45 graus para aproveitar o osso disponível e evitar enxerto ósseo. O All-on-6 usa 6, oferece mais pontos de fixação e permite próteses em materiais mais pesados como zircônia. Na mandíbula (osso mais denso), o All-on-4 costuma ser suficiente. Na maxila, onde o osso é mais poroso, 6 implantes dão mais segurança — especialmente para quem tem bruxismo. Revisão sistemática de Soto-Penaloza et al. (2017) com 24 estudos encontrou taxa de sobrevida dos implantes acima de 99% em mais de 24 meses de acompanhamento.

A diferença para um implante dentário unitário é de escala: no unitário, um pino sustenta uma coroa de porcelana ou coroa de zircônia. No protocolo, vários pinos sustentam a arcada inteira de uma vez.

Para quem a prótese protocolo é indicada

Nem todo paciente que perdeu dentes precisa de protocolo. A técnica tem indicações específicas.

Quem se beneficia: pessoas que perderam todos os dentes de uma arcada (edêntulos totais), quem usa dentadura e quer uma solução fixa, e pacientes com dentes comprometidos que precisam de extração total seguida de reabilitação. Um dado que dimensiona o problema: segundo a Pesquisa Nacional de Saúde Bucal (SB Brasil), o índice CPO-D de idosos no país era de 27,53 em 2010 e caiu para 23,55 em 2023 — uma melhora, mas que ainda revela perda dentária massiva nessa faixa etária. Dados do CFO confirmam que mais de metade dos idosos brasileiros já perdeu todos os dentes.

Situações que exigem avaliação cuidadosa: diabetes descompensada (prejudica a cicatrização e a osseointegração), periodontite ativa (precisa ser tratada antes), tabagismo pesado (reduz o fluxo sanguíneo no osso) e uso prolongado de bisfosfonatos para osteoporose. Nenhuma é proibição absoluta, mas cada uma muda o planejamento.

Como funciona o tratamento: da tomografia à prótese

1. Exames e planejamento digital

Tudo começa com uma tomografia odontológica (cone beam) e uma radiografia panorâmica. A tomografia mostra em 3D a espessura e a densidade do osso, a posição do nervo alveolar inferior e a proximidade do seio maxilar. É com esses exames que o cirurgião-dentista decide quantos implantes usar, onde posicionar cada um e se vai precisar de enxerto ósseo.

Em clínicas que trabalham com cirurgia guiada, o planejamento vai além: um software posiciona os implantes virtualmente, e um guia cirúrgico é impresso em 3D para direcionar cada perfuração com precisão milimétrica.

2. Cirurgia de instalação dos implantes

A cirurgia dura entre 1 e 3 horas. É feita com anestesia local — o paciente fica acordado, mas não sente dor. Sedação consciente é uma opção para quem tem muito medo.

O cirurgião-dentista instala os pinos de titânio no osso. No All-on-4, os dois implantes anteriores entram retos e os dois posteriores entram inclinados. Essa angulação é proposital: aproveita a região de osso mais denso e, na maxila, desvia do seio maxilar. Foi exatamente essa inclinação que permitiu dispensar o enxerto ósseo em muitos pacientes — antes do All-on-4, quem tinha pouco osso posterior precisava de enxerto, com custo e meses de espera adicionais.

3. Prótese provisória (carga imediata)

Em casos selecionados — quando os implantes alcançam estabilidade primária suficiente — o paciente sai com dentes no mesmo dia. Essa prótese provisória, geralmente em resina acrílica sobre barra metálica, é parafusada sobre os implantes e permite mastigar alimentos macios já nas primeiras semanas.

A carga imediata não é regra. Depende da qualidade do osso, da estabilidade de cada implante e do julgamento clínico. Se a estabilidade não for suficiente, o profissional opta por aguardar a osseointegração antes de carregar os implantes. Quem falar que “sempre” faz carga imediata merece uma boa dose de desconfiança.

4. Osseointegração e prótese definitiva

O titânio dos implantes se funde ao osso num processo que leva de 3 a 6 meses. Na mandíbula, a integração costuma ser mais rápida (3 a 4 meses). Na maxila, pode levar 5 a 6 meses.

Após a osseointegração confirmada por exame clínico e radiográfico, o cirurgião-dentista remove a provisória e instala a prótese dentária definitiva. Essa etapa envolve moldagem, escolha da cor dos dentes e ajuste de oclusão — como os dentes de cima encaixam nos de baixo quando você fecha a boca.

Materiais: resina, porcelana ou zircônia

A escolha do material da prótese definitiva afeta durabilidade, estética e custo. Três opções dominam o mercado.

Resina acrílica sobre barra metálica — a mais acessível. A prótese tem uma estrutura de metal (titânio ou cromo-cobalto) revestida por resina com dentes pré-fabricados. Durabilidade média de 5 a 7 anos antes de precisar de troca ou reparo. Desgasta com o tempo, pode amarelecer e acumula mais placa bacteriana. A vantagem: é mais leve, transmite menos carga para os implantes e é mais fácil de reparar.

Porcelana (metalocerâmica) — estrutura metálica revestida de porcelana. Mais resistente, não mancha e tem durabilidade de 10 a 15 anos. A superfície lisa dificulta o acúmulo de placa. Estética superior à resina. O peso maior exige implantes bem posicionados e osso de boa qualidade.

Zircônia monolítica — o material mais resistente e estético disponível. Sem metal na estrutura — a prótese inteira é fresada em blocos de zircônia por tecnologia CAD/CAM. Durabilidade acima de 15 anos, biocompatibilidade alta e resultado visual mais natural. O custo é consideravelmente maior.

Materiais para Prótese Protocolo — Comparação Material Durabilidade Estética Resina acrílica 5–7 anos Boa Porcelana 10–15 anos Muito boa Zircônia 15+ anos Excelente Resina: mais leve, mais fácil de reparar, menor custo Porcelana: boa relação custo-benefício, superfície lisa (menos placa) Zircônia: sem metal, fresada por CAD/CAM, biocompatibilidade alta A escolha depende do orçamento, da quantidade de osso e da avaliação clínica individual.

Quanto custa no mercado brasileiro

Os valores abaixo são faixas de referência do mercado, baseados em fontes públicas. Não representam os valores praticados em nenhuma clínica específica. O custo real depende de uma avaliação clínica individual.

Uma prótese protocolo completa (implantes + prótese + exames) custa entre R$ 20.000 e R$ 80.000 por arcada no Brasil em 2026. A variação depende do número de implantes, do material da prótese e da necessidade de procedimentos adicionais como enxerto ósseo ou extração de dentes remanescentes.

Vamos aos números por material: protocolo em resina acrílica fica entre R$ 20.000 e R$ 35.000. Em porcelana (metalocerâmica), entre R$ 35.000 e R$ 50.000. Em zircônia monolítica, entre R$ 50.000 e R$ 80.000. Esses valores incluem a cirurgia, os implantes, exames e a prótese definitiva.

Faixa de Custo — Prótese Protocolo por Arcada (2026) Valores de referência do mercado brasileiro — não representam preços de clínica R$ 0 R$ 20k R$ 40k R$ 60k R$ 80k Resina R$ 20–35k Porcelana R$ 35–50k Zircônia R$ 50–80k Os valores são faixas de referência do mercado brasileiro, baseados em fontes públicas. O custo real depende de avaliação clínica individual e do planejamento de cada caso.

O que costuma encarecer além do previsto: enxerto ósseo (R$ 800 a R$ 3.000 por região), extrações de dentes remanescentes, sedação consciente e a necessidade de prótese provisória separada quando a carga imediata não é possível.

Prótese protocolo vs dentadura: o que muda no dia a dia

Quem usa dentadura sabe das limitações. Solta durante a fala, limita a mastigação de alimentos duros, cobre o palato (céu da boca) na arcada superior e, com o tempo, o osso vai reabsorvendo por falta de estímulo — a dentadura fica cada vez mais folgada.

A prótese protocolo resolve cada um desses problemas. É fixa, parafusada nos implantes. Mastigação firme. O protocolo superior libera o palato, o que melhora o paladar. E os implantes transmitem estímulo ao osso, freando a reabsorção.

Um cenário concreto: uma paciente de 62 anos usa dentadura total há 15 anos. A prótese balança, machuca a gengiva e ela evita comer em público. Na avaliação, a tomografia mostra osso suficiente para All-on-4 na mandíbula e All-on-6 na maxila (osso mais poroso, mais pontos de fixação). Cirurgia com carga imediata — ela sai com próteses provisórias fixas no mesmo dia. Em 4 a 6 meses, troca pelas definitivas em porcelana.

Recuperação e manutenção a longo prazo

A cirurgia de protocolo é mais extensa que a de um implante dentário unitário, mas o pós-operatório segue o mesmo padrão. Desconforto moderado nos primeiros 3 a 5 dias, controlado com analgésico e anti-inflamatório prescritos. Inchaço no rosto é esperado — pico no segundo dia, melhora gradual até o sétimo.

Na primeira semana: alimentação pastosa e fria, nada de cuspir com força ou usar canudo (a pressão negativa atrapalha a cicatrização), compressas de gelo nos primeiros dois dias e repouso relativo. Nada de academia por pelo menos 7 dias. O retorno para acompanhamento costuma ser em 7 a 10 dias.

Depois que a prótese definitiva está instalada, o trabalho não acabou. A cada 6 meses, o cirurgião-dentista remove a prótese (ela é parafusada, então sai e volta sem dor), faz profilaxia na região dos implantes, verifica o torque dos parafusos e avalia o osso e a gengiva ao redor. Radiografia de controle entra no protocolo de manutenção.

Em casa: escova macia, escova interdental ou fio dental específico para implantes (tipo Superfloss) e, de preferência, irrigador oral para limpar sob a prótese — a região entre a prótese e a gengiva acumula restos alimentares que a escova não alcança.

A revisão de Maló et al. (2019) que acompanhou 471 pacientes por 10 a 18 anos mostrou taxa de complicação mecânica de 36,7% ao longo de todo o período. Parafusos afrouxam, resina desgasta, ajustes são necessários. Manutenção periódica reduz essas ocorrências e aumenta a longevidade do trabalho.

Prótese protocolo em Araraquara

Araraquara tem uma vantagem para quem precisa de reabilitação oral: a Faculdade de Odontologia da UNESP (FOAr) é referência nacional em pesquisa, o que concentra profissionais qualificados na região.

Na clínica do Dr. Felipe Crespilho (CRO-SP 130734), cirurgião-dentista com atuação em implantodontia e cirurgia oral, o planejamento de prótese protocolo envolve tomografia, planejamento digital e, quando indicado, cirurgia guiada com guia cirúrgico impresso em 3D. Cada caso é avaliado individualmente — quantidade de osso, condições de saúde geral e expectativas do paciente entram na conversa antes de qualquer decisão.

Antes de fechar um planejamento de protocolo, pergunte ao profissional: quantos implantes pretende usar e por quê, qual o material da prótese definitiva, se carga imediata é viável no seu caso, qual o protocolo de manutenção e se será necessário enxerto ósseo. As respostas dizem muito sobre a qualidade do planejamento.

Se você perdeu dentes ou usa dentadura e quer entender se a prótese protocolo é viável, o primeiro passo é uma avaliação com tomografia. Agende pelo WhatsApp e tire suas dúvidas diretamente com a equipe.


Dr. Felipe Crespilho — Cirurgião-dentista, CRO-SP 130734. Atuação em implantodontia e cirurgia oral. Clínica em Araraquara, SP.

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