Implante dentário dói? O que esperar antes, durante e depois da cirurgia — sem rodeios
Implante dentário dói? A cirurgia usa anestesia local e o pós tem desconforto leve por 3-5 dias. Veja o que esperar em cada fase e como reduzir a dor.
Dr. Felipe Crespilho
CRO-SP 130734 · Sobre a equipe
Não, implante dentário não dói durante a cirurgia. O procedimento é feito com anestesia local — a mesma usada em restaurações e extrações. Você fica consciente, mas não sente dor. Sente pressão, vibração, e só. O desconforto real aparece no pós-operatório: dor leve a moderada nos primeiros 3 a 5 dias, controlada com analgésico comum. A maioria dos pacientes volta às atividades normais em 24 a 48 horas.
O medo existe porque a palavra “cirurgia” assusta. Mas quem já extraiu um dente do siso sabe que o pós de implante costuma ser mais tranquilo.
O que acontece durante a cirurgia de implante
A colocação do implante dentário é um procedimento cirúrgico, sim. Mas bem diferente do que a maioria imagina.
O cirurgião-dentista aplica anestesia local na região da gengiva e do osso. O efeito começa em 3 a 5 minutos. A partir dali, a sensação é de pressão — como se alguém apertasse a gengiva com o dedo. Dor, zero.
O procedimento em si leva de 30 a 60 minutos por implante unitário. O pino de titânio é inserido no osso com uma sequência de brocas de diâmetro crescente. Parece agressivo descrito assim, mas o osso maxilar tem pouquíssimas terminações nervosas. A dor vem dos tecidos moles — e esses estão anestesiados.
Para quem tem medo acima do normal (odontofobia), existe a opção de sedação consciente. Um médico anestesista aplica medicamento por via endovenosa, e o paciente fica relaxado e sonolento durante todo o procedimento. Muitos nem lembram da cirurgia depois. Não é anestesia geral — você respira sozinho e mantém os reflexos.
Cirurgia guiada: menos corte, menos dor
Na cirurgia guiada, o cirurgião-dentista faz o planejamento digital da posição exata do implante em software 3D antes de operar. Um guia cirúrgico impresso encaixa na boca e direciona a broca com precisão milimétrica.
A vantagem prática para quem tem medo de dor: em muitos casos, a cirurgia guiada dispensa o corte da gengiva (técnica flapless). Sem corte, sem pontos. O pós-operatório fica mais leve — menos inchaço, menos desconforto e recuperação mais rápida.
Pós-operatório: o que esperar dia a dia
O desconforto real do implante dentário está no pós-operatório. Uma revisão sistemática publicada no periódico Clinical Oral Investigations (Khouly et al., 2021) analisou 9 ensaios clínicos randomizados e concluiu que a dor após implante é leve a moderada na maioria dos casos, com pico nas primeiras 72 horas.
Na prática, funciona assim:
Dia da cirurgia (dia 0): a anestesia passa em 2 a 4 horas. Quando passar, o desconforto aparece. Tome o analgésico prescrito antes de sentir dor — esperar dói mais. Aplique gelo na bochecha: 10 minutos ligado, 10 desligado, por 4 a 6 horas.
Dias 1-2: pico do desconforto. Inchaço moderado na região. A dor responde bem a anti-inflamatório (ibuprofeno é o mais estudado para implantes, segundo a revisão de Melini et al., 2021 na Frontiers in Pharmacology). Alimentação pastosa e fria. Nada de cuspir com força ou usar canudo — a pressão atrapalha a cicatrização.
Dias 3-5: a dor cai bastante. O inchaço começa a diminuir. Já dá pra comer alimentos mais consistentes do lado oposto da boca.
Dia 7: a maioria dos pacientes não sente mais desconforto. Se houve pontos, é hora de removê-los. Retorno ao consultório para acompanhamento.
Dia 10-14: cicatrização da gengiva praticamente completa. Rotina normal.
Implante simples vs implante com enxerto: a dor muda?
Muda. E essa diferença quase ninguém explica direito.
Pensa no cenário mais comum: um paciente que perdeu um molar inferior há 2 anos. O cirurgião-dentista pede uma tomografia odontológica, analisa a imagem e vê que o osso da região está preservado — espessura e altura suficientes para receber o pino de titânio. O procedimento é direto: anestesia, perfuração, inserção do implante, sutura. Tempo total: 40 minutos. Pós-operatório leve. Em 3 dias, o paciente já esqueceu que fez cirurgia.
Agora pensa em outro cenário: paciente que perdeu os dentes superiores há 5 anos e usou prótese removível desde então. Sem estímulo mastigatório, o osso maxilar reabsorveu. A tomografia mostra que não há espessura suficiente. Antes do implante, é preciso fazer enxerto ósseo — acrescentar osso na região para criar uma base sólida.
O enxerto acrescenta uma etapa cirúrgica. O pós-operatório é mais desconfortável: inchaço maior, mais dias de medicação, recuperação de 7 a 14 dias até normalizar. E o implante só entra meses depois, quando o enxerto cicatrizar. A dor não é insuportável — mas é maior que no implante simples.
Resumo: implante com osso suficiente = pós tranquilo. Implante que precisa de enxerto = pós mais intenso. A tomografia é o exame que define qual dos dois cenários se aplica ao seu caso.
Depois da cicatrização: a osseointegração dói?
Não. A osseointegração é silenciosa.
Esse é o período de 3 a 6 meses em que o osso se funde ao pino de titânio. O conceito foi descrito pelo pesquisador sueco Per-Ingvar Branemark nos anos 1960 e tem taxa de sucesso acima de 95% com os implantes atuais.
Durante a osseointegração, o paciente não sente nada. Literalmente. O pino está dentro do osso, coberto pela gengiva, e o corpo faz o trabalho sozinho. Você volta ao consultório a cada 30-60 dias para acompanhamento, e quando o cirurgião-dentista confirma a integração (por imagem e teste de torque), a prótese sobre implante é instalada — geralmente uma coroa de porcelana ou zircônia que imita o dente natural.
Se doer durante a osseointegração, algo está errado. Dor latejante, inchaço que volta ou pus na região são sinais de complicação — infecção periimplantar ou falha na integração. Procure o cirurgião-dentista imediatamente. Complicações existem, mas são incomuns quando o planejamento é feito com tomografia e o paciente segue as orientações do pós-operatório.
Comparando o desconforto: implante vs outros procedimentos
Uma dúvida que aparece muito: “dói mais que arrancar o siso?” ou “é pior que canal?”
A resposta depende do caso, mas os relatos clínicos e a experiência no consultório indicam um padrão.
O implante simples (sem enxerto) costuma doer menos que extração de dente do siso incluso. O siso exige mais manipulação do osso, corte de gengiva e, às vezes, fragmentação do dente. O implante é mais “limpo” cirurgicamente.
O canal dentário é o que menos incomoda no pós — 1 a 2 dias de sensibilidade, e olhe lá. Já o implante com enxerto ósseo é o que demanda mais paciência na recuperação.
5 formas concretas de reduzir a dor no pós-operatório
Não tem segredo. Mas tem disciplina.
1. Tome o analgésico no horário. Não espere a dor chegar. O anti-inflamatório funciona melhor quando tomado preventivamente, antes do pico. Siga a prescrição do cirurgião-dentista à risca.
2. Gelo nas primeiras 48 horas. Compressa fria na bochecha: 10 minutos com gelo, 10 sem. Repita por 4 a 6 horas no dia da cirurgia e no dia seguinte. Reduz inchaço e dor.
3. Durma com a cabeça elevada. Use 2 travesseiros nas primeiras 2 noites. Ajuda a drenar o inchaço e diminui a pressão na região operada.
4. Alimentação fria e pastosa. Sorvete, iogurte, sopa fria, vitamina de frutas. Nada quente nas primeiras 24 horas. Alimentos duros só depois do dia 7.
5. Nada de cigarro. Fumar atrapalha a cicatrização e aumenta o risco de infecção. Quem fuma e vai colocar implante precisa parar pelo menos 2 semanas antes e 2 semanas depois. O tabaco é o fator de risco evitável mais relevante para falha de implante.
Quando a dor NÃO é normal
A dor esperada diminui a cada dia. Se o padrão inverter — a dor aumentar em vez de diminuir a partir do dia 3 — algo pode estar errado.
Sinais de alerta que exigem retorno imediato ao consultório:
- Dor intensa que não melhora com analgésico após 72 horas
- Inchaço que piora depois do dia 3
- Febre acima de 38 graus
- Pus ou gosto ruim na região operada
- Dormência no lábio ou queixo que persiste por mais de 24 horas (pode indicar lesão nervosa)
- Implante solto ou com mobilidade
Essas complicações são incomuns — a taxa de sucesso dos implantes dentários modernos ultrapassa 95%, segundo dados consolidados na literatura. Mas quando acontecem, quanto antes o cirurgião-dentista intervém, melhor o prognóstico.
A avaliação que responde tudo
Cada boca é diferente. A quantidade de dor depende de fatores que só uma avaliação clínica identifica: espessura do osso, necessidade de enxerto, número de implantes, presença de infecção prévia, uso de medicações.
O exame de tomografia odontológica mostra o que o olho não vê. Com ele, o cirurgião-dentista planeja a cirurgia, escolhe o tipo de implante, e consegue prever com razoável precisão o nível de desconforto esperado.
Se você está adiando o implante dentário por medo da dor, a avaliação inicial é o passo que resolve a dúvida. Não é compromisso com a cirurgia — é informação pra decidir com segurança.
Segundo o IBGE (2019), 34 milhões de brasileiros acima de 18 anos perderam 13 dentes ou mais. E 14 milhões perderam todos. Adiar a reposição não evita desconforto — gera mais problemas: reabsorção óssea, movimentação dos dentes vizinhos, dificuldade mastigatória.
A dor do implante é temporária. A perda de função por não repor o dente é progressiva.
Quer saber como funciona no seu caso? Agende uma avaliação pelo WhatsApp e tire suas dúvidas com um cirurgião-dentista com atuação em implantodontia.
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