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Faceta ou lente de contato dental: diferenças reais, indicações clínicas e como escolher a opção certa pro seu caso

Faceta vs lente de contato dental: diferem em espessura e desgaste do dente. Compare as duas opções e descubra qual funciona para o seu caso.

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Dr. Felipe Crespilho

CRO-SP 130734 · Sobre a equipe

Cirurgião-dentista brasileiro segurando modelo de laminado cerâmico em consultório odontológico moderno e iluminado
A escolha entre faceta e lente depende do que seus dentes precisam — não do que está na moda

Mesma porcelana, mesma técnica laboratorial, resultado estético parecido. A diferença entre faceta de porcelana e lente de contato dental se resume a três coisas: espessura da lâmina, quantidade de desgaste no dente e grau de correção que cada uma consegue fazer. A lente é ultrafina (0,2 a 0,5 mm), exige preparo mínimo ou nenhum. A faceta é mais espessa (0,5 a 1,0 mm) e precisa de desgaste moderado do esmalte. Quem decide qual usar não é você — é a condição clínica dos seus dentes.

O que separa uma da outra na prática

O nome “lente de contato dental” surgiu por causa da espessura. Assim como uma lente de contato ocular, a peça cerâmica é fina o suficiente pra aderir à superfície sem volume excessivo. Mas o paralelo para aí.

Lente de contato dental usa lâminas de 0,2 a 0,5 mm. Em muitos casos, o cirurgião-dentista não precisa desgastar o esmalte — ou faz um preparo mínimo, removendo menos de 0,3 mm da superfície. O dente natural fica praticamente intacto por baixo da cerâmica. Isso tem uma vantagem enorme: caso a lente precise ser substituída no futuro, o dente preservado aceita um novo laminado sem grandes complicações.

Faceta de porcelana trabalha com lâminas de 0,5 a 1,0 mm. Para encaixar sem criar volume excessivo, o dentista precisa remover uma camada de esmalte equivalente à espessura da peça. Esse desgaste é irreversível. Uma vez removido, o esmalte não se regenera. O dente sempre vai precisar de uma restauração por cima — seja faceta, seja coroa.

A revisão sistemática de Alammari (2023), publicada na Cureus, comparou os dois tipos em estudos clínicos e laboratoriais. Laminados minimamente invasivos mostraram taxa de sobrevivência superior e período médio de sucesso de 10,28 anos, contra 9,32 anos dos convencionais. O fator determinante? Preservação de esmalte.

Lente de Contato Dental vs Faceta de Porcelana Comparação técnica dos dois tipos de laminado cerâmico Característica Lente de Contato Faceta de Porcelana Espessura 0,2 a 0,5 mm 0,5 a 1,0 mm Desgaste dental Mínimo ou nenhum Moderado (0,5-0,7 mm) Reversibilidade Pode ser reversível Irreversível Indicação principal Correções sutis Alterações acentuadas Material mais usado Porcelana feldspática Dissilicato de lítio Resistência flexural 120-180 MPa ~400 MPa Fontes: Alammari (2023), Revista Brasileira de Odontologia (2020) — revisão de literatura

O papel do material cerâmico

Não é só a espessura que muda. O tipo de cerâmica mais indicado para cada caso também é diferente.

Porcelana feldspática é o material clássico das lentes ultrafinas. Tem translucidez excepcional — imita a passagem de luz do esmalte natural como nenhum outro material. A resistência flexural fica entre 120 e 180 MPa, segundo a Revista Brasileira de Odontologia (2020). Funciona bem em dentes anteriores que não recebem carga mastigatória pesada.

Dissilicato de lítio (IPS e.max) é mais resistente: cerca de 400 MPa de resistência flexural. Aguenta forças maiores, o que o torna preferido para facetas convencionais e para lentes em pacientes com mordida mais forte. A estética é excelente, embora a translucidez fique um degrau abaixo da feldspática.

Na prática, a escolha do material depende de onde o laminado será instalado, da força que o dente recebe e do grau de alteração estética necessário. Um dente anterior que só precisa de ajuste de cor pode receber feldspática sem problema. Já um pré-molar que precisa de faceta mais espessa vai se beneficiar do dissilicato.

Quando a lente de contato dental é a escolha certa

A lente funciona quando a correção necessária é sutil e o dente tem estrutura saudável.

Dentes com cor levemente amarelada que não responderam ao clareamento dental. A lâmina ultrafina mascara o tom sem precisar desgastar o esmalte. Muitos pacientes fazem clareamento antes, pra poder usar uma cerâmica mais clara.

Pequenos espaços entre dentes (diastemas). Lentes de 0,3 a 0,5 mm de espessura preenchem o espaço sem volume excessivo. É uma alternativa à ortodontia quando o espaço é pequeno e o alinhamento está bom.

Dentes com formato irregular ou levemente assimétricos. A lente corrige contorno, borda incisal e proporção sem tocar no esmalte natural. O resultado fica harmônico e a estrutura dental preservada.

Restaurações antigas visíveis. Se o dente tem restauração de resina composta escurecida na face frontal, a lente cobre e unifica a cor.

Pra você ter uma ideia: uma paciente de 32 anos chega ao consultório com diastema de 1 mm entre os incisivos centrais superiores. Os dentes têm cor boa, sem restaurações, sem desgaste. Nesse caso, duas lentes de contato dental em porcelana feldspática resolvem — sem desgastar nada.

Quando a faceta de porcelana é a opção indicada

A faceta entra em cena quando a lente não dá conta da correção necessária.

Dentes muito escurecidos. Um dente que fez tratamento de canal dentário escurece com o tempo. A lente é tão fina que a cor escura transpassa a cerâmica. A faceta, mais espessa, mascara completamente. Manchas profundas por tetraciclina ou fluorose seguem a mesma lógica.

Dentes desgastados ou fraturados. Bruxismo crônico desgasta a borda dos dentes anteriores. A faceta reconstrói a anatomia perdida e protege o que sobrou de esmalte. Em desgastes severos, às vezes a coroa total é mais indicada — mas a faceta é o primeiro recurso conservador.

Desalinhamento moderado sem ortodontia. Se o paciente não quer ou não pode usar aparelho e o desalinhamento é leve a moderado, facetas nos dentes anteriores criam harmonia visual. O desgaste permite posicionar cada lâmina na angulação correta.

Dentes com restaurações extensas. Quando mais de 50% da face vestibular já tem resina composta, a adesão da lente fica comprometida. A faceta, com preparo controlado, cria uma superfície fresca de esmalte periférico pra cimentação.

Outro cenário concreto: um paciente de 45 anos com desgaste nos 6 dentes superiores anteriores por bruxismo antigo (controlado com placa miorrelaxante há 3 anos). Os dentes perderam 1 a 2 mm de borda incisal. A lente de 0,3 mm não recupera essa anatomia. Facetas de dissilicato de lítio com preparo controlado reconstroem o comprimento, a forma e a proporção.

Irreversibilidade: o ponto que decide tudo

Esse é o ponto que separa as duas opções de forma definitiva. E é o ponto que muita gente ignora.

Quando o cirurgião-dentista desgasta o esmalte para uma faceta convencional, aquele dente nunca mais volta ao estado original. Se a faceta quebrar daqui a 12 anos, você precisará de uma nova faceta ou de uma coroa. Não existe “tirar e ficar sem”.

Com a lente de contato dental em preparo mínimo ou sem preparo, a situação é diferente. O esmalte foi preservado. Se for necessário remover a lente no futuro — por mudança estética, por exemplo — o dente por baixo está saudável. Pode receber clareamento, uma nova lente ou simplesmente ficar sem restauração.

Dados de um estudo prospectivo com 186 laminados e 9 anos de acompanhamento reforçam esse ponto. Facetas cimentadas sobre esmalte tiveram taxa de sobrevivência de 99%. Sobre dentina exposta, caiu para 91%. Preservar esmalte não é só questão de reversibilidade — é questão de longevidade.

Quando nenhuma das duas é a resposta

Nem toda situação pede laminado cerâmico. E indicar errado é pior do que não fazer nada.

Bruxismo ativo sem controle. Se você range ou aperta os dentes e não usa placa miorrelaxante, qualquer laminado cerâmico corre risco. A força de até 500 N durante o bruxismo supera a resistência da porcelana. Primeiro controle o bruxismo. Depois discuta estética.

Doença gengival ativa. Gengivite e periodontite precisam ser tratadas antes de qualquer procedimento estético. Cimentar laminado sobre gengiva inflamada compromete a adesão e mascara um problema que vai piorar.

Dentes muito destruídos. Quando o dente perdeu mais de 60% da estrutura, faceta não resolve. A indicação é coroa total — que envolve o dente inteiro e distribui melhor as forças mastigatórias.

Expectativa irreal. Laminados corrigem cor, forma e pequenos posicionamentos. Não corrigem mordida, não alinham dentes muito tortos e não substituem ortodontia. Se a indicação está errada, o resultado vai frustrar.

Qual tratamento faz sentido pro seu caso? Fluxograma simplificado — a decisão final é sempre clínica Alteração de cor, forma ou alinhamento? A alteração é sutil ou acentuada? Sutil Acentuada Esmalte saudável e íntegro? Sim LENTE DE CONTATO Não FACETA PORCELANA Mais de 40% de esmalte? Sim FACETA PORCELANA Não COROA TOTAL Bruxismo ativo ou doença gengival? Trate primeiro. Laminado estético vem depois.

Do planejamento à cimentação

O resultado de qualquer laminado cerâmico — lente ou faceta — depende mais do planejamento do que do material em si.

O processo começa com avaliação clínica, radiografia panorâmica e fotografias intraorais. O cirurgião-dentista analisa a cor dos dentes, o alinhamento, a gengiva, a oclusão (como os dentes se encaixam quando você morde) e a existência de restaurações antigas.

A partir daí, vem o planejamento digital. Com fotos padronizadas e escaneamento, o profissional projeta o desenho final de cada laminado. Alguns consultórios fazem um mockup — uma simulação em resina sobre os dentes — pra que o paciente veja o resultado antes de começar. Esse passo é decisivo. Se algo não agrada, ajusta-se no projeto. Não no dente preparado.

Depois da aprovação, o dentista faz o preparo (se necessário), molda e envia ao laboratório de prótese. O laboratorista confecciona cada peça individualmente. Com tecnologia CAD/CAM, a precisão chega a frações de milímetro.

Na sessão final, as peças são provadas, ajustadas e cimentadas com adesivo resinoso fotoativado. A cimentação é o momento mais crítico. Um laminado cimentado integralmente sobre esmalte tem adesão muito superior — e essa diferença aparece nos dados de longevidade.

Durabilidade: o que os dados mostram

Os dois tipos de laminado duram bastante quando bem indicados e bem cimentados.

Uma revisão sistemática publicada no Journal of Clinical Medicine (Alenezi et al., 2021) analisou 6.500 laminados cerâmicos em 1.646 pacientes. A taxa de sobrevivência em 10 anos foi de 95,5%. A fratura respondeu por 44,83% das falhas e o descolamento por 11,67%.

Já o estudo prospectivo de Smielak et al. acompanhou 186 laminados por 9 anos. Laminados com preparo mínimo tiveram taxa de sobrevivência de 100%. Os convencionais tiveram 10 falhas absolutas — 8 por fratura, 1 por descolamento, 1 por fratura dental.

A diferença não é do material. É do substrato. Quando a cimentação acontece sobre esmalte íntegro, a adesão é mais estável e previsível. Quando envolve dentina exposta, a interface adesiva é mais suscetível a degradação. Isso não significa que faceta convencional é pior — significa que o planejamento do preparo faz diferença enorme no resultado.

Mais informações sobre longevidade no nosso artigo sobre quanto tempo dura a lente de contato dental.

Cuidados e perguntas antes de decidir

Depois da instalação

Os cuidados são os mesmos para lente e faceta.

Escovação com escova de cerdas macias pelo menos 3 vezes ao dia. Fio dental diariamente — com atenção especial na margem entre a cerâmica e a gengiva. Profilaxia a cada 6 meses no consultório.

Se você tem bruxismo diagnosticado, o uso da placa miorrelaxante pra dormir é obrigatório. Sem negociação. A cerâmica resiste à mastigação normal, mas não a forças repetitivas e concentradas de 500 N durante o sono.

Evite usar os dentes como ferramenta. Abrir embalagens, roer gelo, morder tampa de caneta — tudo isso gera impacto pontual que a cerâmica não absorve bem. O esmalte natural tem certa flexibilidade. A porcelana, não.

O CFO (Conselho Federal de Odontologia) orienta que pacientes com laminados cerâmicos sigam a mesma rotina de higiene indicada para dentes naturais — acrescida do acompanhamento periódico com o cirurgião-dentista que instalou as peças.

O que perguntar na consulta de avaliação

Se você está considerando laminado cerâmico — lente ou faceta — e vai marcar uma avaliação, leve essas perguntas:

A primeira é a mais importante: será necessário desgastar meus dentes? Se sim, quanto? E por quê? Entender o grau de preparo ajuda você a dimensionar a irreversibilidade da decisão.

Pergunte também sobre o material. Feldspática ou dissilicato? Qual é o mais indicado pro seu caso e qual a resistência de cada um?

Questione o laboratório. Qual técnica será usada — CAD/CAM ou manual? Isso influencia precisão e preço.

Peça simulação prévia. Mockup ou planejamento digital. Ver antes de decidir é o mínimo.

E pergunte sobre garantia e manutenção. Se uma peça fraturar em 2 anos, como funciona? A resposta a essa pergunta diz muito sobre a confiança do profissional no próprio trabalho.

Como funciona na clínica em Araraquara

O tratamento de lentes de contato dental e facetas de porcelana na clínica segue o protocolo de planejamento digital completo. A avaliação clínica inclui radiografia panorâmica, fotografias padronizadas e análise da oclusão. Quando indicado, o mockup permite que você visualize o resultado antes de qualquer preparo.

O cirurgião-dentista Dr. Felipe Crespilho (CRO-SP 130734) tem atuação em reabilitação oral e trabalha com os dois tipos de laminado cerâmico conforme a indicação clínica de cada caso.

Se você quer entender qual opção faz sentido pro seu caso, o caminho é uma avaliação presencial. Sem exame clínico, qualquer indicação é chute. Agende pelo WhatsApp ou conheça a equipe do consultório.

Artigo revisado por Dr. Felipe Crespilho, cirurgião-dentista com atuação em reabilitação oral (CRO-SP 130734).

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