Emergência dentária em Araraquara: o que fazer, onde ir e os erros que pioram tudo
Emergência dentária Araraquara: dente quebrado, dor aguda ou abscesso? Saiba o que fazer nos primeiros 30 minutos e onde buscar atendimento urgente.
Dr. Felipe Crespilho e Dra. Sabrina Martins
CRO-SP 130734 · CRO-SP 138491 · Sobre a equipe
O primeiro erro numa emergência dentária em Araraquara — ou em qualquer lugar — é entrar em pânico e não fazer nada. O segundo é fazer a coisa errada: colocar gelo direto no dente, tentar colar o pedaço que quebrou com Super Bonder ou engolir dois comprimidos de antibiótico “por precaução”. Todo ano gente perde dente por desinformação, não por falta de dentista.
Resposta direta: se você está com dor aguda, sangramento que não para ou um dente saiu inteiro da boca, os próximos 30 minutos são decisivos. Coloque o dente em leite (não lave com nada), tome um analgésico (ibuprofeno ou paracetamol) e vá ao CEO de Araraquara ou ao pronto-socorro. Abaixo, o passo a passo para cada situação.
Os erros que transformam urgência em tragédia
Antes das soluções, os erros. Porque na hora do desespero, a maioria das pessoas faz exatamente o que não deveria.
Colar fragmento de dente com cola comum. Qualquer cola comercial cria uma película que o dentista não consegue remover. O resultado: a restauração fica comprometida e, em vez de uma colagem simples, você precisa de um procedimento mais invasivo. Guardou o pedaço? Coloque em leite ou soro fisiológico e leve ao dentista.
Colocar gelo direto na gengiva. Gelo no tecido da boca causa queimadura. A compressa fria vai por fora — na bochecha, envolvida em pano, por no máximo 15 minutos.
Tomar antibiótico por conta própria. Antibiótico sem prescrição não resolve dor de dente. E pior: mascara uma infecção que pode estar avançando. Analgésico (ibuprofeno 400 mg ou paracetamol 750 mg) alivia enquanto você consegue atendimento.
Ignorar inchaço com febre. Inchaço facial que cresce rápido, acompanhado de febre acima de 38 °C, pode ser um abscesso evoluindo para celulite — uma infecção que se espalha pelos tecidos do rosto. Segundo o Conselho Federal de Odontologia, celulite com edema e risco de comprometimento da via aérea é classificada como emergência — risco de vida, pronto-socorro imediato.
As 5 emergências mais comuns (e o que fazer em cada uma)
1. Dor de dente aguda
Dor que pulsa, acorda de madrugada, não passa com distração. Na maioria das vezes é uma cárie profunda que chegou à polpa (o “nervo” do dente) — o que os dentistas chamam de pulpite.
O que fazer agora:
- Tome ibuprofeno 400 mg ou paracetamol 750 mg (respeite o intervalo de 6-8 horas)
- Enxágue com água morna e sal (meia colher de chá em 200 ml)
- Não aplique nada direto no dente — nem cravo, nem álcool, nem aspirina triturada
- Procure atendimento odontológico no mesmo dia ou no dia seguinte
Quando vira emergência: dor acompanhada de febre, inchaço no rosto ou dificuldade para engolir. Nesse caso, vá ao pronto-socorro.
2. Dente quebrado ou trincado
Mordeu algo duro, levou uma pancada, ou um dente já enfraquecido por cárie cedeu. A gravidade depende de quanto quebrou.
O que fazer agora:
- Lave a boca com água morna para remover fragmentos soltos
- Se achou o pedaço, guarde em leite integral ou soro fisiológico — não em água pura
- Coloque compressa fria por fora da bochecha (15 min ligada, 15 min desligada)
- Cubra a parte exposta do dente com gaze umedecida se houver sensibilidade
Uma restauração dental pode resolver fraturas pequenas. Fraturas maiores, que expõem a raiz, exigem canal dentário ou extração — depende do que o dentista encontrar no raio-X.
3. Abscesso dentário (bolsa de pus)
Inchaço na gengiva, dor latejante, gosto ruim na boca. O abscesso é uma infecção bacteriana que acumulou pus na raiz do dente ou entre a gengiva e o dente.
O que fazer agora:
- Bocheche com água morna e sal (reduz bactérias temporariamente)
- Tome analgésico — não antibiótico sem prescrição
- Não tente espremer ou furar o abscesso
Quando vira pronto-socorro: febre acima de 38 °C, inchaço que se espalha para o pescoço, dificuldade para abrir a boca ou respirar. Infecção dentária pode evoluir para complicação grave em 48 horas, segundo o Manual MSD. Não espere.
4. Sangramento que não para (pós-extração)
Algum sangramento nas primeiras 24-48 horas depois de arrancar um dente é normal. Mas sangramento contínuo, em quantidade, que não reduz com pressão, precisa de atendimento.
O que fazer agora:
- Morda uma gaze dobrada com pressão firme por 30-60 minutos (sem ficar olhando a cada 5 minutos)
- Não bocheche, não cuspa com força, não use canudo — qualquer sucção desloca o coágulo
- Mantenha a cabeça elevada (não deite totalmente na horizontal)
Quando procurar o dentista: se após 1 hora de pressão constante o sangramento não reduziu, ou se no dia seguinte ainda está sangrando ativamente.
5. Dente avulsionado (saiu inteiro da boca)
Essa é a emergência em que o relógio conta de verdade. Se o dente permanente saiu inteiro — com raiz e tudo — o reimplante é possível, mas a janela é curta.
A situação é mais comum do que parece. Criança jogando futebol no clube, adolescente de bicicleta, adulto que escorregou. Pra você ter uma ideia: um adolescente em Araraquara levou uma bolada no rosto durante pelada de sábado. O dente da frente saiu inteiro. O pai, em vez de levar o dente para a escola mais próxima, fez a coisa certa: colocou o dente em um copo de leite e foi direto ao CEO. Chegou em 25 minutos. O dentista reimplantou, fez contenção — e o dente se manteve.
O protocolo, segundo a BVS do Ministério da Saúde:
- Ache o dente. Segure pela coroa (a parte branca). Nunca toque na raiz.
- Se estiver sujo, lave rapidamente em água corrente por no máximo 10 segundos. Não esfregue.
- Tente recolocar no lugar (se conseguir) e morda uma gaze para manter. Se não der, coloque em leite integral gelado. Alternativas: soro fisiológico ou saliva (dentro da boca, entre a gengiva e a bochecha — desde que a pessoa não seja criança pequena com risco de engolir).
- Vá ao dentista imediatamente. Até 30 minutos, a chance de sucesso do reimplante é alta. Até 60 minutos em leite, ainda há possibilidade. Depois de 2 horas fora do alvéolo, o prognóstico cai muito.
Atenção: dente de leite (criança pequena) não se reimplanta. Tentar reimplantar pode danificar o dente permanente que está se formando embaixo.
Onde buscar atendimento em Araraquara
A rede pública de Araraquara tem um caminho claro para urgências odontológicas. O erro mais comum é ir direto à UPA — que funciona 24 horas, mas encaminha casos dentários ao CEO.
CEO — Centro de Especialidades Odontológicas “Prof. Dr. Raphael Lia Rolfsen”
É o ponto de referência para urgências dentárias na cidade.
- Endereço: Rua Amazonas, 760 — Vila Xavier
- Urgência: segunda a sexta, das 18h à meia-noite. Sábados, domingos e feriados, das 7h à meia-noite
- Telefone: (16) 3334-6900
- O que fazem: drenagem de abscesso, extração de emergência, reimplante, curativo de urgência, controle de sangramento
- Documentos: leve RG e cartão SUS
O CEO também funciona em horário comercial (seg-sex, 7h30-16h30) para procedimentos eletivos como canal dentário, cirurgia oral e prótese dentária — mas esses exigem encaminhamento da UBS.
UPA Central “Amélia Bernardini Cutrale”
- Endereço: Via Expressa — Vila Velosa
- Funcionamento: 24 horas
- Quando ir: inchaço facial com febre alta, sangramento descontrolado, trauma de face com fratura óssea — situações que envolvem risco de vida. A UPA faz a estabilização e encaminha para hospital se necessário.
UBS (Unidade Básica de Saúde)
Se a dor não é emergência mas não dá pra esperar uma semana, a UBS com equipe de saúde bucal faz acolhimento de urgência durante o horário de funcionamento — sem agendamento. Leva mais tempo, mas resolve pulpite, abscesso localizado e fratura pequena.
Dentista particular
Muitas clínicas em Araraquara atendem urgências por encaixe. Se você tem um dentista de confiança, ligue antes de ir ao CEO. Atendimento particular costuma ser mais rápido e o acompanhamento do caso fica com o mesmo profissional.
Se precisar de avaliação para um trauma dental ou cirurgia oral, entre em contato pelo WhatsApp para agendar.
Quando pode esperar e quando NÃO pode
Nem toda dor de dente é emergência. A diferença entre urgência e emergência odontológica é definida pelo CFO (Conselho Federal de Odontologia):
- Emergência = risco de vida. Sangramento que não para, infecção se espalhando para o pescoço, trauma de face com fratura. Vá ao pronto-socorro.
- Urgência = precisa de atendimento prioritário, mas sem risco imediato de vida. Dor forte, abscesso localizado, dente quebrado. Procure o CEO ou seu dentista.
- Pode esperar = desconforto que não piora rapidamente. Sensibilidade ao frio, gengiva sangrando na escovação, dente com mobilidade leve. Agende consulta nos próximos dias.
Gengivite que sangra só na escovação? Não é urgência — mas é sinal de que a gengiva precisa de atenção. Uma profilaxia resolve na maioria dos casos. Já periodontite avançada, com dente amolecendo, precisa de raspagem radicular e acompanhamento.
Monte um kit de emergência dental em casa
Não precisa ser nada sofisticado. Uma necessaire com poucos itens pode fazer a diferença entre perder e salvar um dente.
O que ter:
- Gaze estéril (pacote pequeno, compra em farmácia)
- Soro fisiológico (frasco de 100 ml)
- Ibuprofeno 400 mg e paracetamol 750 mg
- Recipiente pequeno com tampa (para transportar dente/fragmento em leite)
- Compressa de gel reutilizável (para aplicar frio por fora)
- Número do CEO de Araraquara salvo no celular: (16) 3334-6900
Quem tem criança em casa ou pratica esporte de contato deveria ter esse kit montado. Custa menos de R$ 30 e pode evitar uma perda que custaria milhares em implante dentário ou prótese depois.
O que o dentista faz na emergência
Depende do caso, mas o atendimento de urgência foca em três coisas: parar a dor, controlar infecção e estabilizar o dente.
- Dor aguda por cárie profunda: curativo endodôntico (medicação dentro do dente) para aliviar a pressão. O canal dentário completo fica para uma sessão eletiva.
- Abscesso: drenagem + prescrição de antibiótico (agora sim, com indicação). Se o dente tiver condição de ser mantido, o tratamento continua. Se não, extração.
- Fratura: colagem do fragmento (se você guardou direito), restauração provisória ou permanente com resina composta. Fraturas na raiz podem exigir cirurgia oral.
- Avulsão: reimplante + contenção flexível por 2 semanas. Acompanhamento com radiografia panorâmica para monitorar a cicatrização.
Cada caso exige avaliação individual. Um raio-X mostra o que o olho não vê — fratura de raiz, abscesso apical, osso comprometido. Não tente diagnosticar em casa.
Prevenção: a emergência que não acontece
A maioria das emergências dentárias podia ter sido evitada. Cárie que evolui pra pulpite? Resultado de meses (ou anos) sem ir ao dentista. Dente que quebra mastigando? Provavelmente já estava enfraquecido por cárie extensa ou bruxismo não tratado.
Profilaxia semestral, tratamento de cárie no início e uso de placa miorrelaxante pra quem range os dentes de noite — essas três coisas eliminam boa parte das emergências.
E para quem pratica esporte de contato: protetor bucal. Custa pouco, encaixa rápido e protege contra avulsão e fratura. Pergunte ao seu dentista na próxima consulta.
Este conteúdo foi revisado por Dr. Felipe Crespilho (CRO-SP 130734) e Dra. Sabrina Martins (CRO-SP 138491), cirurgiões-dentistas em Araraquara. As orientações são de caráter educacional e não substituem avaliação presencial. Em caso de emergência, procure atendimento imediato.
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