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De quanto em quanto tempo ir ao dentista: frequência ideal, quando antecipar e por que prevenção sai mais barato

De quanto em quanto tempo ir ao dentista? A cada 6 meses para a maioria, a cada 3 para grupos de risco. Sinais de alerta e quanto a prevenção economiza.

SC

Dra. Sabrina Martins

CRO-SP 138491 · Sobre a equipe

Recepção de clínica odontológica em Araraquara com paciente sorrindo ao agendar consulta
A frequência ideal depende do seu perfil — mas esperar doer nunca é a resposta

Você sabe de quanto em quanto tempo ir ao dentista, mas vai mesmo? A PNS 2019 do IBGE mostrou que apenas 49% dos adultos brasileiros consultaram um dentista nos 12 meses anteriores à pesquisa. Metade do país não vai nem uma vez por ano. A recomendação do Conselho Federal de Odontologia (CFO) é clara: a cada 6 meses, com ou sem sintoma. Para grupos de risco --- gestantes, diabéticos, fumantes --- o intervalo cai para 3 a 4 meses.

Nas próximas seções, você vai entender por que esses intervalos existem, quem precisa ir com mais frequência e quanto dinheiro a prevenção poupa no longo prazo.

Por que 6 meses e não 12

O intervalo de 6 meses não é um número mágico. Ele tem base no tempo médio que o tártaro leva para se consolidar na superfície dos dentes depois da última profilaxia. Placa bacteriana que não é removida se mineraliza em 24 a 72 horas. Em semanas, vira tártaro. E tártaro não sai com escova --- só com raspagem profissional.

A revisão Cochrane de 2020 analisou dois estudos com 1.736 participantes e comparou intervalos de 6, 12 e 24 meses. O resultado: para pessoas com baixo risco de cárie e gengivite, ir a cada 24 meses não piorou a saúde bucal de forma significativa. Para quem tem risco moderado ou alto, espaçar demais já faz diferença.

Na prática, a maioria das pessoas não sabe em qual grupo está. Uma cárie pequena entre dois dentes, por exemplo, pode crescer meses sem doer. Quando dói, o problema já migrou da dentina para a polpa --- e o tratamento vira canal dentário, não restauração simples.

O intervalo de 6 meses funciona como rede de segurança. Pega o problema enquanto ele ainda é barato de resolver.

Quem precisa ir com mais frequência

Nem todo mundo se encaixa na regra dos 6 meses. Alguns perfis precisam de consultas a cada 3 ou 4 meses. Outros, a cada trimestre. A diferença está no risco individual.

Gestantes. A gravidez altera o pH da saliva e aumenta o fluxo sanguíneo na gengiva. O resultado é uma condição chamada gengivite gravídica, que atinge até 75% das gestantes segundo dados do Ministério da Saúde. O CFO recomenda pelo menos uma consulta por trimestre durante a gestação --- o chamado pré-natal odontológico.

Diabéticos. Diabetes descompensado reduz a capacidade do corpo de combater infecções gengivais. A periodontite é 2 a 3 vezes mais frequente em diabéticos. Consultas a cada 3 a 4 meses permitem monitorar a gengiva antes que a inflamação evolua para perda óssea.

Fumantes. O cigarro reduz a irrigação sanguínea na gengiva, mascara sinais de gengivite (a gengiva sangra menos, mesmo inflamada) e retarda a cicatrização. O CFO classifica fumantes como grupo de risco para câncer bucal --- o Brasil registra cerca de 15 mil novos casos por ano, segundo o INCA. Consultas a cada 3 a 4 meses aumentam a chance de pegar lesões suspeitas no início.

Quem usa aparelho ortodôntico. Braquetes e fios acumulam mais placa bacteriana. A limpeza fica difícil mesmo com escova interdental e fio. Profilaxia trimestral evita cárie ao redor dos braquetes --- uma das complicações mais frustrantes do tratamento ortodôntico.

Pacientes com histórico de periodontite. Quem já tratou doença periodontal precisa de manutenção frequente. Sem acompanhamento, a reincidência é regra, não exceção. A raspagem radicular de manutenção a cada 3 ou 4 meses mantém a gengiva estável.

Frequência recomendada de consultas ao dentista Adulto saudável 6 meses Gestante 3 meses Diabético 3-4 meses Fumante 3-4 meses Aparelho ortodôntico 3 meses Periodontite tratada 3-4 meses Criança (a partir de 6m) 6 meses Fonte: CFO, Ministério da Saúde, literatura periódica

E as crianças: quando começa?

A primeira consulta no dentista deve acontecer quando o primeiro dente de leite aparece --- geralmente por volta dos 6 meses de idade. O CRO-MT e a Associação Brasileira de Odontopediatria recomendam essa janela. Depois disso, a frequência segue o padrão de 6 em 6 meses.

O SB Brasil 2023 --- a pesquisa nacional de saúde bucal mais recente do Ministério da Saúde --- mostrou que 46,8% das crianças de 5 anos já tinham pelo menos um dente de leite com experiência de cárie. Quase metade. Muitas dessas cáries poderiam ter sido evitadas com consultas preventivas regulares, aplicação de flúor e selante.

Na odontopediatria, a consulta de rotina não é só para verificar cárie. O dentista acompanha o crescimento dos maxilares, a troca de dentição, hábitos como chupar o dedo e respiração bucal. Problemas identificados cedo --- como mordida cruzada ou erupção fora de posição --- são mais simples de corrigir antes dos 7 anos.

O que acontece na consulta preventiva

A consulta de rotina leva entre 30 e 60 minutos e envolve três etapas.

Exame clínico. O dentista avalia cada dente, a gengiva, a língua e a mucosa da boca. Procura cárie inicial, sangramento gengival, lesões suspeitas e desgaste nos dentes (que pode indicar bruxismo). Um exame que parece simples, mas é a primeira linha de defesa contra problemas sérios --- incluindo câncer de boca. Segundo o INCA, quando diagnosticado em estágio inicial, o câncer bucal tem taxa de sobrevida acima de 80% em 5 anos. Quando diagnosticado tarde, cai para menos de 50%.

Profilaxia. A limpeza dental profissional remove placa bacteriana e tártaro de áreas que a escova não alcança --- entre os dentes, abaixo da linha da gengiva, atrás dos últimos molares. A profilaxia previne gengivite, que é o primeiro estágio da doença periodontal. Se não tratada, a gengivite evolui para periodontite --- e aí o dano atinge o osso que sustenta o dente.

Orientação personalizada. O dentista identifica pontos fracos na sua escovação, recomenda tipo de escova, fio dental, enxaguante. Parece básico, mas a maioria das pessoas escova com força demais, pula o fio dental e não limpa a língua. Corrigir esses hábitos previne mais do que qualquer tratamento.

Prevenção vs tratamento: a conta que ninguém faz

A lógica é direta: prevenir custa menos do que tratar. Mas quanto menos?

Uma profilaxia (limpeza) custa entre R$ 150 e R$ 400 no mercado brasileiro. Duas por ano: R$ 300 a R$ 800. Agora compare com o que acontece quando a prevenção não é feita.

Uma restauração simples de resina composta fica entre R$ 150 e R$ 500. Até aí, parecido com a limpeza. Mas a restauração resolve um problema que a limpeza teria evitado.

Quando a cárie avança para a polpa, o tratamento vira canal dentário --- entre R$ 600 e R$ 1.500, dependendo do dente. Mais a coroa, porque dente com canal geralmente precisa de reforço: R$ 800 a R$ 2.500. Total: R$ 1.400 a R$ 4.000 por dente.

Se o dente é perdido e o paciente opta por implante dentário, o custo sobe para R$ 3.500 a R$ 8.000 por unidade (pino + coroa), segundo faixas de mercado em 2026.

Pra você ter uma ideia: o valor de um implante paga entre 4 e 10 anos de limpezas semestrais. A matemática é tão óbvia que chega a incomodar.

Custo por dente: prevenção vs tratamento (mercado 2026) R$ 0 R$ 1.000 R$ 2.000 R$ 4.000 R$ 8.000 Limpeza (profilaxia) R$ 150-400 Restauração (resina) R$ 150-500 Canal + coroa R$ 1.400-4.000 Implante (pino + coroa) R$ 3.500-8.000 1 implante = 4 a 10 anos de limpezas semestrais Valores de referência do mercado brasileiro. Não representam preços de nenhuma clínica específica.

Os valores acima são faixas de referência do mercado brasileiro, baseados em fontes públicas. Não representam os valores praticados em nenhuma clínica específica. O custo real depende de uma avaliação clínica individual.

7 sinais de que você precisa antecipar a consulta

Não espere completar 6 meses se qualquer um desses sinais aparecer.

1. Sangramento ao escovar ou usar fio dental. Gengiva saudável não sangra. Se sangra toda vez que você escova, é sinal de gengivite --- inflamação causada por acúmulo de placa bacteriana. Tratável, mas não sozinha.

2. Dor que vai e volta. Aquela sensibilidade a gelado que aparece de vez em quando e some. Pode ser cárie inicial, fratura no esmalte ou retração gengival. Nos três casos, quanto antes identificar, mais simples é o tratamento.

3. Mau hálito persistente. Se o problema continua mesmo com boa escovação, fio dental e limpeza de língua, pode indicar tártaro subgengival, cárie oculta ou doença periodontal.

4. Dente amolecendo. Mobilidade dental em adulto não é normal. Pode ser periodontite avançada com perda óssea. É urgente.

5. Ferida na boca que não cicatriza em 15 dias. Lesão vermelha, branca ou misturada que persiste precisa de avaliação. Pode não ser nada. Mas o câncer de boca começa exatamente assim --- discreto, indolor, ignorado.

6. Inchaço na gengiva ou no rosto. Pode ser abscesso dental, que é uma infecção. Se tiver febre junto, procure atendimento no mesmo dia. Se precisar de ajuda imediata, veja nosso guia de emergência dentária em Araraquara.

7. Restauração ou coroa que caiu. Dente exposto sem a restauração acumula bactérias rápido. Não deixe para a próxima consulta de rotina.

Fui ao dentista e estava tudo bem. Posso espaçar?

Depende. A revisão Cochrane que citei acima mostrou que, para adultos com baixo risco, intervalos de até 24 meses não aumentaram a incidência de cárie ou doença gengival de forma significativa. Isso quer dizer que, se você nunca teve cárie, não fuma, não é diabético e tem gengiva saudável, talvez um intervalo de 12 meses funcione para o seu perfil.

Mas atenção: quem define isso é o dentista, não o paciente. O perfil de risco muda. Uma gestação, um diagnóstico de diabetes, um período de estresse que aumenta o bruxismo --- tudo isso altera a frequência ideal. A recomendação do CFO de 6 em 6 meses existe justamente porque a maioria das pessoas não avalia o próprio risco com precisão.

Se o seu dentista avaliar que você pode ir uma vez por ano, siga essa orientação. Mas não tome essa decisão sozinho.

Mitos que atrasam a ida ao dentista

“Estou sem dor, então está tudo bem.” A maioria das doenças bucais é silenciosa nos estágios iniciais. Cárie entre dentes, periodontite crônica e até lesões pré-cancerosas não doem no começo. Quando a dor aparece, o problema já avançou.

“Limpeza desgasta o esmalte.” A profilaxia usa ultrassom e pasta abrasiva leve. Não remove esmalte. O que desgasta esmalte é escovação com força excessiva e escova de cerdas duras --- dois hábitos que o dentista identifica e corrige durante a consulta preventiva.

“Dentista é caro, só vou quando precisar.” Esperar doer transforma uma limpeza de R$ 200 em um canal de R$ 1.500. A conta nunca fecha a favor de quem adia. E para quem tem convênio, profilaxia e consulta de rotina são cobertas pela ANS no ROL obrigatório. Zero custo adicional.

Como montar seu calendário de consultas

O negócio é o seguinte: em vez de tentar lembrar “de quanto em quanto tempo ir ao dentista”, coloque no calendário. Duas datas fixas por ano, espaçadas por 6 meses. Janeiro e julho. Março e setembro. Escolha os meses e agende.

Se você faz parte de algum grupo de risco, marque a cada 3 ou 4 meses. Quatro consultas por ano pode parecer muito, mas cada uma leva menos de uma hora e custa uma fração do que qualquer tratamento curativo.

Uma dica prática: muita gente esquece da consulta semestral simplesmente porque não agenda a próxima antes de sair do consultório. Na consulta de hoje, já marque a próxima. Simples assim.

Resumo: seu perfil, sua frequência

  • Adulto saudável, sem fatores de risco: a cada 6 meses
  • Gestante: a cada 3 meses (pré-natal odontológico)
  • Diabético: a cada 3 a 4 meses
  • Fumante: a cada 3 a 4 meses
  • Aparelho ortodôntico: a cada 3 meses
  • Histórico de periodontite: a cada 3 a 4 meses
  • Criança (a partir do 1o dente): a cada 6 meses
  • Baixo risco confirmado pelo dentista: até 12 meses (sob orientação profissional)

A regra geral é 6 meses. A exceção é ir com mais frequência --- nunca menos, a não ser que o dentista avalie e autorize.

Se faz tempo que você não vai ao dentista, o primeiro passo é agendar. Na Seu Dentista Araraquara, a Dra. Sabrina Martins (CRO-SP 138491) atende com foco em prevenção e orientação personalizada. Agende sua avaliação pelo WhatsApp e coloque sua saúde bucal em dia.

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